Índia confirma novos casos de vírus Nipah e isola 100 pessoas em Bengala Ocidental

Claudio Vasconcelos
6 Min Leitura

Autoridades de saúde da Índia monitoram um novo surto de vírus Nipah na província de Bengala Ocidental. Até o momento, cinco profissionais de um hospital da região testaram positivo e cerca de 100 pessoas que tiveram contato próximo permanecem em quarentena na mesma unidade. Vários países asiáticos, entre eles Tailândia, Nepal e Taiwan, reforçaram a triagem sanitária em aeroportos para evitar a disseminação do agente infeccioso.

Classificado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como vírus zoonótico, o Nipah pode ser transmitido de animais para humanos, por alimentos contaminados ou diretamente entre pessoas. A infecção provoca manifestações que vão de casos assintomáticos a insuficiência respiratória aguda e encefalite fatal.

“Embora os surtos registrados sejam limitados, o patógeno infecta diversas espécies animais e pode causar doença grave em seres humanos, o que o coloca como preocupação relevante de saúde pública”, alerta a OMS.

O infectologista Benedito Fonseca, consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia e professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da USP, avalia que fatores ambientais e culturais reduzem o potencial de propagação global do vírus, diferentemente do que ocorreu com o SARS-CoV-2. Para ele, a probabilidade de o Nipah gerar uma pandemia é considerada baixa.

Origem e dispersão

O Nipah foi identificado pela primeira vez em 1999, entre criadores de suínos na Malásia, e no mesmo período atingiu Singapura. Em 2001, o Bangladesh registrou novo surto, seguido de ocorrências quase anuais. No leste indiano, onde se localiza Bengala Ocidental, casos periódicos são notificados desde então. Evidências do vírus já foram encontradas em morcegos do gênero Pteropus em países como Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia, indicando risco potencial para outras regiões.

Formas de transmissão

No primeiro surto, o contato direto com porcos doentes foi a principal via de infecção. Posteriormente, em Bangladesh e na Índia, consumir frutas ou sucos contaminados por urina ou saliva de morcegos frugívoros apareceu como fonte mais provável. A transmissão entre pessoas ocorre por contato próximo com secreções de pacientes, sendo comum em familiares, cuidadores ou profissionais de saúde. Em 2001, na cidade indiana de Siliguri, 75% dos casos se concentraram em funcionários ou visitantes de um hospital. Entre 2001 e 2008, cerca de metade das infecções relatadas em Bangladesh resultou de contágio pessoa a pessoa.

Sintomas

Os sinais iniciais incluem febre, cefaleia, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Podem surgir depois tontura, sonolência, alteração de consciência e sintomas neurológicos indicativos de encefalite aguda. Alguns pacientes evoluem para pneumonia atípica e síndrome do desconforto respiratório agudo. Convulsões e coma podem ocorrer em 24 a 48 horas nos quadros mais graves.

O período de incubação varia de quatro a 14 dias, mas já foram descritos casos com até 45 dias. Entre os sobreviventes da encefalite aguda, cerca de 20% apresentam sequelas neurológicas permanentes, como distúrbios convulsivos ou mudanças de personalidade. A taxa de letalidade oscila entre 40% e 75%, dependendo da capacidade de vigilância e atendimento de cada localidade.

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Imagem: Ruslanas Baranauskas/Divulgação

Diagnóstico

Como os sintomas iniciais não são específicos, identificar a infecção precocemente é um desafio. O diagnóstico utiliza RT-PCR em fluidos corporais e testes sorológicos para detecção de anticorpos. Ensaios de PCR convencionais e cultura viral também são empregados em laboratórios especializados.

Tratamento

Não há medicamentos ou vacinas específicas aprovadas contra o Nipah. A OMS mantém o vírus na lista de patógenos com potencial epidêmico e recomenda suporte intensivo para complicações respiratórias e neurológicas.

Hospedeiros naturais e animais afetados

Morcegos frugívoros da família Pteropodidae, principalmente do gênero Pteropus, são considerados reservatórios naturais, sem apresentar sinais da doença. Em 1999, suínos, além de cavalos, cabras, ovelhas, gatos e cães, foram infectados na Malásia. O vírus é altamente contagioso em porcos, que podem desenvolver febre, problemas respiratórios e sintomas neurológicos, embora a mortalidade seja baixa, exceto em leitões.

Medidas de prevenção

Na ausência de vacina, a principal estratégia é reduzir a exposição ao vírus. Orientações da OMS incluem:

  • instalar barreiras físicas para impedir que morcegos tenham acesso à seiva de palmeira consumida in natura;
  • ferver sucos recém-coletados e descartar frutas com marcas de mordida;
  • usar luvas e vestimentas de proteção ao lidar com animais doentes ou abatê-los;
  • proteger ração e estábulos de suínos contra morcegos em áreas endêmicas;
  • evitar contato físico desprotegido com pessoas infectadas e higienizar as mãos com frequência após cuidar de pacientes.

As autoridades indianas mantêm a vigilância reforçada e investigam contatos dos casos confirmados para conter o atual surto na região de Bengala Ocidental.

Com informações de Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.