Inca inicia estudo-piloto para avaliar rastreamento de câncer de pulmão no SUS

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O Instituto Nacional de Câncer (Inca) anunciou, em 1º de abril, o lançamento de um estudo inédito para avaliar a viabilidade de implantar um programa de rastreamento de câncer de pulmão no Sistema Único de Saúde (SUS). A pesquisa será realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro e tem financiamento da biofarmacêutica AstraZeneca. O objetivo é gerar evidências que permitam a criação de uma diretriz nacional para detecção precoce da doença e, assim, reduzir a mortalidade.

O estudo terá duração de dois anos e prevê a participação mínima de 397 pacientes, com possibilidade de ampliação do número de inscritos. A seleção dos participantes será feita em colaboração com o Programa de Cessação do Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro, que conta com cerca de 50 mil participantes.

Serão utilizados exames de tomografia computadorizada de baixa dose (TCBD) para o rastreamento. Segundo dados citados pelo Inca e pelo Jornal Brasileiro de Pneumologia, o uso do TCBD reduz a mortalidade por câncer de pulmão em 20% e, quando combinado com programas de cessação do tabagismo, essa redução pode chegar a 38%.

De acordo com o Inca, evidências internacionais indicam que o rastreamento direcionado a populações de alto risco pode diminuir substancialmente a proporção de diagnósticos em estágios avançados — de cerca de 90% para cerca de 30% dos casos. Atualmente, essa estratégia ainda não integra as diretrizes nacionais de rastreamento no Brasil, motivo pelo qual iniciativas locais com geração de dados são consideradas importantes para orientar futuras recomendações de saúde pública.

O critério de elegibilidade seguirá o Consenso Médico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica, da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia e do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem: pessoas entre 50 e 80 anos, fumantes ou ex-fumantes que tenham parado nos últimos 15 anos, com consumo de 20 cigarros por dia, todos os dias, ao longo de 20 anos.

Em caso de diagnóstico positivo, os pacientes serão acompanhados e tratados no Hospital do Câncer I (HC I), unidade do Inca e referência para tratamento oncológico no Rio de Janeiro, integrante da rede de alta complexidade do SUS.

O estudo será coordenado pelo epidemiologista do Inca Arn Migowski, que afirmou durante cerimônia no auditório do Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio, que a proposta é detectar tumores antes do aparecimento de sintomas e incentivar a interrupção do tabagismo, testando como o novo protocolo funciona na prática do SUS, sua adesão e seus riscos.

Danilo Lopes, diretor médico da AstraZeneca, destacou o papel de parcerias entre setor público e privado na pesquisa e disse que a companhia pretende ir além da disponibilização de medicamentos. Gustavo Prado, presidente da Aliança Brasileira de Combate ao Câncer de Pulmão, alertou para o aumento do uso de dispositivos eletrônicos (vapes) e disse que mais pessoas, especialmente jovens de 18 a 24 anos, têm fumado, o que demanda intensificação das ações de prevenção com linguagem adequada para esse público.

Câncer de pulmão

O câncer de pulmão é a principal causa de morte por câncer no Brasil. Segundo o Atlas de Mortalidade do Inca, em 2024 foram registrados 32.465 óbitos por câncer de brônquios e pulmão. O Inca informa que esse número supera a soma das mortes por câncer de próstata (17.826) e de mama (20.849) no mesmo ano. As estimativas do instituto indicam que, no triênio 2026–2028, o país terá cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano.

O Inca também aponta que a elevada mortalidade do câncer de pulmão está ligada ao diagnóstico tardio: aproximadamente 84% dos casos são identificados em estágios avançados, refletindo-se numa taxa de sobrevida de cinco anos em torno de 5,2%.

Com informações de Agência Brasil

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