IGP-M recua 0,5% em junho puxado por queda em combustíveis e café

Robson Alves
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A inflação medida pelo IGP-M registrou deflação em junho, primeira queda desde fevereiro. Combustíveis, minerais e café lideraram o recuo, aliviando preços para consumidores e produtores.

Os preços de combustíveis, minerais e do café recuaram em junho, contribuindo para que a inflação medida pelo Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) apresentasse uma queda de 0,5%. Isso significa que, na média, os preços ficaram mais acessíveis.

Essa deflação, que é a primeira desde fevereiro deste ano, contrasta com o índice registrado em junho de 2025, que foi de -1,67%. Nos últimos 12 meses, o IGP-M acumula uma alta de 3,16%.

Os dados foram divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV). No primeiro semestre, o indicador registrou uma alta de 3,27%. Veja a variação do IGP-M ao longo do ano:

Junho: -0,50%

Maio: 0,84%

Abril: 2,73% (impactado pela guerra no Oriente Médio)

Março: 0,52%

Fevereiro: -0,73%

Janeiro: 0,41%

O resultado de junho ficou abaixo da expectativa do mercado, que previa uma variação de 0,03% para o índice. Para o fim do ano, a projeção é de um acumulado de 6,15% em 12 meses.

O economista da FGV, Matheus Dias, explica que os preços de commodities energéticas e minerais estão voltando a patamares anteriores ao conflito no Oriente Médio, antes de março deste ano. No setor agrícola, as principais safras ainda têm mostrado resultados positivos, o que tem contribuído para a queda dos preços de cana-de-açúcar e café.

“Parte dessa redução nos preços ao produtor tem sido repassada aos preços ao consumidor, com destaque para as quedas em gasolina, etanol e café em pó”, descreve Dias.

O IGP-M é composto por três componentes principais. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação sentida pelos produtores e tem um peso de 60% no índice total, apresentou deflação de 0,97% em junho.

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que representa 30% do IGP-M, teve uma alta de 0,47% em junho, mas com uma intensidade menor em comparação ao mês anterior, que foi de 0,61%.

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) variou positivamente em 0,85% no mês.

Entre os produtos que mais contribuíram para a deflação, destacam-se:

Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA):

Minério de ferro: -2,61%

Café (em grão): -9,69%

Óleo diesel: -6,18%

Farelo de soja: -2,98%

Cana-de-açúcar: -1,88%

Índice de Preços ao Consumidor (IPC):

Gasolina: -1,29%

Etanol: -5,61%

Café em pó: -2,57%

Maçã: -3,75%

Leite tipo longa vida: -0,80%

Índice Nacional de Custo da Construção (INCC):

Carreto para retirada de entulho: -0,17%

O IGP-M é conhecido como a inflação do aluguel, pois o acumulado em 12 meses é frequentemente utilizado como base para o reajuste anual de contratos de aluguel. Além disso, é um parâmetro para ajustes de tarifas públicas, como energia e telefonia, e serviços essenciais.

A FGV realiza a coleta de preços em várias capitais, incluindo Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador. O período de levantamento do IGP-M ocorreu entre 21 de maio e 20 de junho.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.