IBGE: ONGs pagam salários mais iguais entre homens e mulheres

Robson Alves
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Estudo do IBGE revela que entidades sem fins lucrativos lideram em equidade salarial. Média nacional chega a R$ 3,9 mil, mas diferença entre sexos ainda persiste no país.

A disparidade salarial entre homens e mulheres é menor nas entidades sem fins lucrativos em comparação com empresas e a administração pública. Essa informação foi revelada em um estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 25 de junho de 2026.

No conjunto de 10,6 milhões de empresas e organizações que existiam no Brasil em 2024, o salário médio mensal era de R$ 3,9 mil, o que equivale a 2,8 salários mínimos da época. Quando analisados os dados por sexo, os homens recebiam, em média, R$ 4,2 mil, enquanto as mulheres recebiam R$ 3,9 mil, resultando em uma diferença de 16,6% a favor dos homens. As mulheres, portanto, ganhavam 85,8% do que os homens recebiam.

Os dados apresentados fazem parte do Cadastro Central de Empresas (Cempre), que compila informações de empresas ativas, além de entidades sem fins lucrativos e da administração pública.

“Estamos falando de entidades não governamentais que prestam serviço, principalmente, na área de assistência social que, talvez, tenham essa preocupação maior com a colocação mais igualitária dos seus quadros”, afirmou Caroline Santos, gerente de Análise e Disseminação do IBGE.

Quando os pesquisadores do IBGE separaram os registros do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) por natureza jurídica, foi observado que nas entidades sem fins lucrativos, o salário das mulheres era proporcionalmente maior, representando 95,3% da remuneração dos homens.

Os salários nas entidades sem fins lucrativos foram registrados da seguinte forma:

MULHERES: R$ 3.589,82

HOMENS: R$ 3.768,81

Por outro lado, nas empresas, essa disparidade aumentava, com as mulheres recebendo apenas 78,1% do que os homens ganhavam.

Os salários nas empresas foram:

MULHERES: R$ 2.996,79

HOMENS: R$ 3.838,67

No que diz respeito à administração pública, que abrange as três esferas de governo e os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, as mulheres recebiam 82% do salário de seus colegas do sexo masculino.

Os salários na administração pública foram:

MULHERES: R$ 4.967,51

HOMENS: R$ 6.058,19

“Atividades do perfil tradicional de inserção da mulher no mercado de trabalho, como educação e saúde, ajudam a explicar a disparidade salarial”, disse Caroline Santos.

Em julho de 2023, foi sancionada a Lei 14.611, conhecida como Lei de Igualdade Salarial, que obriga os empregadores a pagarem salários iguais a homens e mulheres na mesma função. Apesar dessa legislação, a diferença salarial ainda persiste devido a fatores como a menor presença feminina em cargos de liderança e interrupções de carreira relacionadas à maternidade.

O levantamento do IBGE também apontou que os 10,6 milhões de CNPJs ativos em 2024 empregavam 68 milhões de pessoas, sendo 54,2 milhões assalariados e 13,8 milhões sócios e proprietários. O país contava com 9,5 milhões de empresas, 1,1 milhão de entidades sem fins lucrativos e 59,4 mil instituições da administração pública.

De acordo com a nova metodologia, a série histórica do estudo começou em 2022, e entre 2022 e 2024, o número de empresas e organizações cresceu 12,5%, enquanto o número de pessoas empregadas aumentou 8,4%.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.