O Hospital Regional de Estância Jessé Andrade de Fontes (HRE), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe, passou a adotar, desde outubro do ano passado, um protocolo específico para atendimento de Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico. A estratégia visa acelerar o diagnóstico e o início do tratamento, reduzindo sequelas e mortalidade entre os pacientes.
Diagnóstico em até 20 minutos
Pelo novo fluxo, toda pessoa com suspeita de AVC é identificada logo na chegada e submetida a tomografia de crânio nos primeiros 20 minutos. Com o exame, a equipe confirma o tipo de evento vascular e define a conduta terapêutica de forma segura.
Nos casos de AVC isquêmico em que o paciente chega ao hospital dentro de quatro horas após o início dos sintomas, é administrado o trombolítico — medicamento que dissolve o coágulo e minimiza danos neurológicos. O médico plantonista Gabriel Luciano esclarece que o fármaco não pode ser usado em todos os cenários. “Algumas pessoas são muito idosas, têm outras doenças ou usam anticoagulantes, fatores que contraindicam a trombólise”, afirmou.
Resultados iniciais
Desde a implantação do protocolo, 16 pacientes receberam o trombolítico, cujo custo médio é de R$ 8 mil por ampola, e apresentaram recuperação mais rápida e com menos sequelas. A superintendente do HRE, Rôse Gleide Santos, destaca outros indicadores: 100% de cobertura diagnóstica por imagem, tempo médio de internação de cinco dias — alinhado à média nacional — e triagem de deglutição realizada em 80% dos atendidos, medida que previne broncoaspiração.
Referência para dez municípios
Com portas abertas 24 horas, o Hospital Regional de Estância atende urgências e emergências de Estância, Boquim, Pedrinhas, Arauá, Santa Luzia do Itanhy, Indiaroba, Tomar do Geru, Umbaúba, Itabaianinha e Cristinápolis. A unidade também é referência em cirurgias gerais e ortopédicas de urgência.
Sinais de alerta
Confusão mental, dificuldade na fala, alteração de visão, dor de cabeça súbita, perda de equilíbrio, tontura e fraqueza ou formigamento em um lado do corpo são sintomas que podem indicar AVC. Diante desses sinais, a orientação é acionar imediatamente o Samu (192), o Corpo de Bombeiros (193) ou levar a pessoa ao hospital mais próximo. Quanto menor o tempo entre o início dos sintomas e o atendimento, maiores são as chances de recuperação.
Depoimentos de quem passou pelo protocolo
O aposentado José Carlos dos Santos, 89 anos, chegou ao HRE sem movimento de um lado do corpo e recebeu o trombolítico após autorização da filha, Erlane. “Agora ele já conversa e sorri. O atendimento foi rápido e fundamental”, contou ela.
O pedreiro Wellington Costa, 58 anos, foi internado quatro dias depois de perceber a boca torta e perder a força no braço. Dois meses após a alta, voltou ao trabalho e ainda sente leve dormência, mas relata boa recuperação. “Os profissionais foram muito competentes”, disse.
Com a padronização do atendimento, o HRE pretende manter a redução de danos e garantir que mais pacientes cheguem a tempo para receber a medicação adequada.
Com informações de Saude.se.gov
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