Fábrica em Campinas inicia produção em massa de mosquitos para combater dengue

Claudio Vasconcelos
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Uma nova fábrica da Oxitec Brasil, inaugurada na última quinta-feira (2) em Campinas (SP), começa a operar oferecendo duas tecnologias biológicas para reduzir a transmissão da dengue e controlar populações do Aedes aegypti. O complexo tem capacidade para produzir até 190 milhões de ovos de mosquitos com a bactéria Wolbachia por semana, volume que pode proteger até 100 milhões de pessoas por ano.

Além dos ovos com Wolbachia, a unidade também fabricará mosquitos da linha Aedes do Bem, cuja aplicação já demonstrou reduzir em 95% a presença do vetor em áreas urbanas específicas. A empresa afirma que ambas as soluções respondem ao apelo da Organização Mundial da Saúde (OMS) por métodos inovadores de controle de vetores.

Como funcionam as duas tecnologias

Wolbachia – Consiste em introduzir a bactéria, presente naturalmente em mais de 60% dos insetos, no Aedes aegypti. Quando fêmeas infectadas se reproduzem com machos locais, toda a descendência herda a Wolbachia, que bloqueia a multiplicação dos vírus da dengue, zika e chikungunya. Estudos apontam redução superior a 75% na transmissão da dengue em áreas urbanas. A tecnologia foi reconhecida pela OMS e incluída no Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) do Ministério da Saúde.

Aedes do Bem – Envolve a liberação de machos geneticamente modificados. Ao acasalar com fêmeas selvagens, apenas descendentes machos sobrevivem; as fêmeas morrem ainda na fase larval, diminuindo drasticamente a população que pica e transmite doenças.

Aplicação em etapas

Segundo a diretora-executiva da Oxitec Brasil, Natalia Verza Ferreira, as duas técnicas não devem ser usadas simultaneamente. A recomendação é iniciar com o Aedes do Bem durante a temporada de maior incidência de mosquitos – de outubro a maio – para suprimir a população. Dois meses após o término desse período, inicia-se a liberação dos mosquitos com Wolbachia, em ciclos de nove a 15 semanas, para “vacinar” os exemplares remanescentes e impedir a transmissão dos vírus.

Próximos passos regulatórios

A fábrica aguarda autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para fornecer os mosquitos com Wolbachia ao governo federal. O secretário-adjunto de Vigilância em Saúde e Ambiente, Fabiano Pimenta, informou que a tecnologia integra um processo regulatório provisório até 2027 e que a pasta trabalha para viabilizar sua adoção como política pública.

A instalação foi erguida sem recursos do governo e pretende atender à demanda crescente de municípios e países da América Latina e da região Ásia-Pacífico, que registraram níveis recordes de dengue nos últimos anos.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.