Os aposentados pedem apuração “sob o devido processo legal” dos fatos que vêm comprometendo o prestígio da Corte
Ex-presidentes do Supremo Tribunal Federal pediram que o plenário da Corte determine a apuração “imediata e rigorosa, sob o devido processo legal”, dos episódios que se tornaram públicos nas últimas semanas.

O que diz a carta
O documento é curto e tem três movimentos. Começa declarando “plena confiança na seriedade, discernimento e firmeza” de Fachin na condução do Tribunal. Em seguida, afirma que o Supremo vive “a mais aguda crise de sua história”. E termina com um pedido objetivo: que o presidente convoque, “com a maior urgência”, uma sessão pública do Pleno.
O objetivo dessa sessão, segundo a carta, seria determinar a “imediata e rigorosa apuração, sob o devido processo legal, dos gravíssimos fatos cuja divulgação vem comprometendo o prestígio e a autoridade desse Tribunal, a confiança do povo e até mesmo a estabilidade das instituições democráticas”.
Quem assina
São treze ministros aposentados, vários deles ex-presidentes do Supremo:
- Néri da Silveira
- Francisco Rezek
- Sydney Sanches
- Celso de Mello
- Carlos Velloso
- Ilmar Galvão
- Nelson Jobim
- Ellen Gracie
- Cezar Peluso
- Ayres Britto
- Joaquim Barbosa
- Eros Grau
- Rosa Weber
Reunir treze ex-integrantes da Corte em um mesmo documento é movimento incomum. Ellen Gracie foi a primeira mulher a presidir o Supremo; Joaquim Barbosa foi o relator do processo do mensalão e o primeiro presidente negro do Tribunal; Celso de Mello foi o ministro que passou mais tempo na Corte, de 1989 a 2020.
O que a carta não diz
Como o documento circulou em redes sociais associado a um ou outro lado da disputa, vale registrar com precisão os seus limites:
- Não cita nenhum ministro pelo nome entre os envolvidos na crise.
- Não delimita quais episódios devem ser apurados.
- Não pede o afastamento de nenhum integrante do Tribunal.
O texto é uma cobrança institucional dirigida ao presidente da Corte, e vem acompanhado de manifestação de apoio a ele.
O contexto
A crise se abriu a partir da quebra de sigilo de parte das investigações da Polícia Federal sobre o caso do Banco Master, em cujos autos aparecem mensagens atribuídas ao ex-controlador da instituição, Daniel Vorcaro, e ao ministro Alexandre de Moraes. Moraes nega ser o destinatário daquelas mensagens.
Desde então, o episódio se desdobrou em uma sequência de decisões e pedidos entre autoridades. Alexandre de Moraes acionou a presidência do STF contra André Mendonça; Mendonça pediu o afastamento de Moraes; Fachin assumiu os dois casos e deu prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, se manifestassem.
Nesta semana, Mendonça determinou o afastamento cautelar de Andrei Rodrigues do comando da PF. A decisão foi levada ao referendo da Segunda Turma, onde recebeu os votos de Luiz Fux e Nunes Marques, formando maioria — até que Gilmar Mendes pediu vista e suspendeu o julgamento.
Sem acordo, segundo a coluna de O Globo
Em paralelo ao apelo dos ex-ministros por uma saída pela via institucional, a colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, informou que André Mendonça sinalizou que não aceitará um acordo para pacificar a crise, preferindo levar a disputa à Segunda Turma, onde teria maioria.
A informação é da colunista e não foi confirmada oficialmente pelo gabinete do ministro. Procurados, os gabinetes dos ministros citados não se manifestaram até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.
Nota da Redação
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