Ex-funcionários acusam TikTok e

William Kevim
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São Paulo – Denúncias de ex-colaboradores indicam que TikTok e Meta relaxaram mecanismos de segurança para impulsionar a participação dos usuários e enfrentar a concorrência nos últimos anos. Os relatos, divulgados em documentário da BBC com transmissão: Record, descrevem a liberação intencional de conteúdo “limítrofe” – publicações que beiram discursos de ódio, teorias conspiratórias ou abuso, mas que não infringem regras de forma explícita.

Meta priorizou alcance do Reels

Um engenheiro que trabalhou no Facebook e no Instagram afirmou ter recebido ordens da diretoria para permitir mais material controverso nos feeds a fim de “recuperar terreno” perdido para o TikTok. Segundo ele, a orientação veio quando o valor das ações da companhia caía. Outro ex-funcionário relatou que, enquanto a companhia contratava 700 pessoas para acelerar o Instagram Reels em 2020, pedidos para reforçar equipes de proteção infantil e integridade eleitoral foram negados.

Internamente, estudos obtidos pela reportagem mostraram que o Reels concentrava 75% mais comentários de bullying e assédio, 19% mais discurso de ódio e 7% mais incitações à violência do que outras áreas do Instagram. Mesmo assim, produtos considerados críticos foram lançados “sem proteções suficientes”, de acordo com o pesquisador Matt Motyl, responsável por testes com centenas de milhões de contas entre 2019 e 2023.

TikTok atuou para agradar políticos

No lado chinês, um membro da equipe de confiança e segurança – identificado como Nick – concedeu acesso a painéis internos que exibem reclamações de usuários e prioridades de análise. Ele contou que casos envolvendo autoridades públicas recebiam classificação de urgência superior a denúncias de violência, chantagem sexual ou exploração de menores. A justificativa, segundo Nick, era manter bom relacionamento com governos e afastar riscos de proibição do aplicativo.

O ex‐empregado também relatou cortes de pessoal e substituição de moderadores por sistemas de inteligência artificial, fator que teria ampliado a exposição de crianças e adolescentes a conteúdo perigoso, como aliciamento, apologia ao terrorismo e incentivo a crimes.

Algoritmos sob sigilo

Ruofan Ding, engenheiro de aprendizado de máquina do TikTok de 2020 a 2024, declarou que a empresa atualizava o algoritmo semanalmente com foco na expansão da base de usuários. Ele reconheceu ser “impossível” garantir plena segurança, pois desenvolvedores enxergam cada publicação apenas como um número de identificação. Para Ding, a dinâmica funciona como um carro cuja equipe constrói o motor sem saber se o sistema de freios cumprirá sua parte.

Especialistas da polícia antiterrorismo britânica confirmaram à BBC ter observado aumento de postagens racistas, antissemitas e violentas nos principais aplicativos. Adolescentes ouvidos pela reportagem disseram que ferramentas para rejeitar recomendações controversas não surtem efeito.

Empresas contestam acusações

Procurada, a Meta declarou que “qualquer sugestão de promoção deliberada de conteúdo nocivo por ganho financeiro é incorreta” e ressaltou ter investido em políticas rígidas de segurança nos últimos dez anos, além de lançar perfis “Teen Accounts” com ajustes de proteção pré‐ativados. O TikTok descreveu as alegações como “fabricadas”, argumentou possuir mais de 50 recursos automáticos de segurança nas contas de menores e negou privilegiar temas políticos em detrimento da proteção infantil.

Apesar das negativas, documentos internos da Meta citados pelos denunciantes apontam que a empresa tinha ciência de que suas recomendações ofereciam um “caminho de lucro à custa do bem-estar” da audiência. Um vice-presidente sênior teria autorizado, segundo um ex-engenheiro, a redução de barreiras contra conteúdo limítrofe para elevar engajamento e receita de curto prazo.

Os relatos reforçam a percepção de que a busca por tempo de tela se sobrepôs a critérios de segurança em duas das maiores plataformas globais. Investigadores e ex-funcionários afirmam que o cenário só deve mudar com maior transparência nos algoritmos e equilíbrio entre crescimento e responsabilidade digital.

Com informações de G1

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William Kevim é profissional de tecnologia com profunda paixão por cultura e entretenimento. Frequentador assíduo de teatros e cinemas, acompanha de perto lançamentos musicais, produções cinematográficas e o universo dos animes. Colabora com os portais do R2 Mídia Group trazendo pautas leves, culturais e de entretenimento com entusiasmo e olhar apurado.