ABC e SBPC alertam que pressões externas podem afetar o voto e as instituições brasileiras. Organizações defendem proteção contra tentativas de influência no pleito.
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) manifestaram preocupação com possíveis tentativas de interferência externa no processo eleitoral brasileiro de 2026, com destaque para alertas sobre pressões provenientes dos Estados Unidos. As entidades afirmaram temor de que ações desse tipo possam afetar a soberania nacional, o funcionamento das instituições democráticas e a livre formação da vontade dos eleitores.
“A escolha dos governantes brasileiros pertence exclusivamente ao povo brasileiro. Nenhum Estado, governo, poder econômico ou ator externo deve buscar condicionar essa decisão, seja por pressões políticas ou econômicas, seja pela manipulação do ambiente informacional ou pelo uso indevido de tecnologias e plataformas digitais.”
No fim de agosto, a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) elaborou um relatório que aponta risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições brasileiras deste ano. O documento reservado também alerta para uma tendência de escalada da pressão estadunidense sobre o Brasil, segundo o que foi divulgado.
Em nota conjunta, ABC e SBPC pediram mobilização das instituições da República, da comunidade científica, da academia e da sociedade civil para proteger a integridade do processo eleitoral. As entidades ressaltaram a importância de identificar e apurar eventuais ações de interferência com base em evidências, transparência e respeito ao Estado Democrático de Direito.
“Cabe a todos contribuir, em suas respectivas responsabilidades, para um ambiente público baseado em informação confiável, respeito às instituições, liberdade de escolha e rejeição a qualquer tentativa de interferência externa na vontade soberana da população brasileira.”
As organizações também registraram apoio ao gesto do Instituto Vladimir Herzog, que levou às Nações Unidas uma carta chamando atenção para riscos de interferência e solicitando reconhecimento internacional rápido do resultado eleitoral, independentemente do vencedor.
Na Assembleia Geral das Nações Unidas, em discurso na terça-feira (22), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abordou a questão, defendendo a soberania dos países e citando tentativas de influência estrangeira sobre processos políticos, sobretudo na América Latina e no Caribe.
“Voltamos a presenciar a ingerência externa em processos eleitorais. A divisão do mundo em zonas de influência e investidas neocoloniais com recursos estratégicos constituem gestos anacrônicos.”
As entidades e as manifestações públicas ocorrem em um contexto de preocupação sobre a proteção da democracia frente às novas formas de interferência, como a manipulação do ambiente informacional e o uso indevido de tecnologias e plataformas digitais. A ABC e a SBPC destacaram ainda que soberania política, soberania científica e soberania digital são dimensões interdependentes da capacidade do país decidir seu futuro.
4 de outubro — cargos em disputa
- Deputado estadual/distrital
- Deputado federal
- Senador
- Governador
- Presidente da República
As eleições estão marcadas para o dia 4 de outubro. Nesse dia, os eleitores votarão nos cargos listados acima. ABC e SBPC conclamaram todos os atores relevantes — instituições públicas, comunidades científicas e acadêmicas, organizações da sociedade civil, meios de comunicação e plataformas digitais — a permanecerem vigilantes e a trabalhar pela preservação de um ambiente público baseado em informação confiável e respeito às instituições.
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