Entenda como o Brasil cria áreas de proteção ambiental e por que isso importa

Rafael Ramos
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O país conta com um sistema robusto para preservar biomas e proteger comunidades tradicionais. Conheça as etapas e leis que garantem a criação das Unidades de Conservação.

No Brasil, a criação de Unidades de Conservação (UCs) é um processo que envolve uma série de etapas burocráticas voltadas à proteção ambiental. As UCs têm como objetivo preservar amostras significativas de biomas, habitats e ecossistemas, garantindo a proteção da flora e fauna, além de modos de vida e aspectos culturais de populações tradicionais.

O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) regula essas áreas, promovendo o manejo sustentável dos recursos naturais e valorizando as práticas das comunidades locais. A criação de uma UC está fundamentada no artigo 225 da Constituição Federal de 1988, que assegura o direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado e estabelece a responsabilidade do poder público e da sociedade na sua preservação.

A iniciativa para a criação de uma UC pode surgir do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ou da própria sociedade, especialmente em regiões onde as comunidades dependem diretamente dos recursos naturais para sua sobrevivência.

O processo de criação de uma UC é longo e envolve critérios técnicos, científicos e sociais. Em média, leva cerca de quatro anos para ser concluído, embora esse prazo possa variar. A primeira fase é a admissão, onde a proposta é avaliada quanto à sua viabilidade e à gestão mais adequada. Depois, realiza-se uma análise detalhada com estudos ambientais, sociais e econômicos.

As consultas públicas são um momento crucial, permitindo que moradores e interessados discutam a proposta, incluindo localização e objetivos da futura UC. Após essas etapas, a proposta é enviada ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, passando por diferentes instâncias do governo federal até a assinatura do ato de criação pelo presidente da República.

A legislação que institui o SNUC é uma das mais completas do mundo, promovendo uma governança democrática e descentralizada. Com cerca de 350 unidades federais sob gestão do ICMBio, as UCs abrangem aproximadamente 173 milhões de hectares, uma área equivalente a cerca de 242 milhões de campos do Maracanã.

Administrar essa vasta extensão é um desafio constante. O modelo de conservação por meio de áreas protegidas é reconhecido internacionalmente como uma forma eficaz de garantir que futuras gerações tenham acesso à biodiversidade e serviços ecossistêmicos essenciais.

As UCs também são fundamentais no contexto das mudanças climáticas. Durante a COP30, o presidente do ICMBio, Mauro Pires, enfatizou a importância das UCs: “a criação de unidades é uma das estratégias mais eficazes contra as mudanças climáticas”. O Brasil se comprometeu a manter pelo menos 30% dos ecossistemas sob a forma de UCs, conforme a Convenção da Biodiversidade.

Além disso, as UCs de uso sustentável são vitais para a chamada sociobioeconomia, onde comunidades tradicionais realizam atividades produtivas que respeitam a conservação ambiental, promovendo renda e desenvolvimento local. Exemplos incluem turismo de base comunitária e fortalecimento de cadeias produtivas que utilizam os recursos naturais de forma responsável.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.