Empreendedores com CNPJ em Sergipe ganham R$ 4,3 mil a mais por mês

Rafael Ramos
3 Min Leitura

Renda média dos formalizados chegou a R$ 5.893 no fim de 2025, a terceira maior do Nordeste. Informais receberam R$ 1.566, aponta estudo com dados do IBGE.

A formalização do negócio está associada a uma renda média mensal 276% maior entre os empreendedores de Sergipe. É o que aponta o estudo “Empreendedorismo Informal sob a Ótica da PNAD Contínua”, elaborado com base em dados do quarto trimestre de 2025 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo o levantamento, os empreendedores com CNPJ registraram renda média de R$ 5.893, o maior valor dos últimos cinco anos e o terceiro maior do Nordeste, atrás de Alagoas e Pernambuco. Entre os empreendedores informais, o rendimento médio foi de R$ 1.566, o que traduz a diferença percentual apontada pelo estudo.

Formalização e evolução

  • Participação formal em 2015: 14%.
  • Participação formal em 2025: 24,2%.
  • Empreendedores com CNPJ em 2015: 44,6 mil.
  • Empreendedores com CNPJ em 2025: 66,2 mil (alta de 48,4%).
  • Empreendedores informais em 2015: 274,7 mil.
  • Empreendedores informais em 2025: 207,8 mil (queda de 24,6%).

Escolaridade

A escolaridade aparece como fator relevante na composição do empreendedorismo informal. O estudo registra mudanças na última década e mostra avanço na qualificação entre os informais.

  • Informais sem ensino médio completo: 50,7%.
  • Informais com ensino superior incompleto: 16%.
  • Percentual sem ensino médio em 2015: 78,4%.
  • Conclusão do ensino médio entre informais em 2015: 16%.
  • Conclusão do ensino médio entre informais em 2025: 33,4%.
  • Informais com ensino superior incompleto em 2015: 5,7%.
  • Informais com ensino superior incompleto em 2025: 16% (quase triplicou).

Christiano Dias Lebre, superintendente do Sebrae, explica:

“O que temos percebido é que a figura do microempreendedor individual tem se tornado o caminho procurado por essas pessoas, principalmente pela facilidade do processo de formalização e pelos benefícios proporcionados por essa categoria jurídica. Isso é importante porque a regularização do negócio traz novas perspectivas, não apenas em relação ao faturamento. Da mesma forma, identificamos uma busca constante por capacitação, o que aumenta a chance de sobrevivência desses negócios no mercado”

Perfil dos empreendedores informais

O levantamento detalha ainda o perfil de atuação e condições de trabalho dos empreendedores informais em Sergipe.

  • Setores de atuação: serviços 42,5%, comércio 23,2%, agropecuária 17,5%.
  • Trabalham sozinhos: quase 92%.
  • São empregadores: 8,2%.
  • Sem local fixo de trabalho: 61,4%.
  • Atuam em loja/escritório/estabelecimento: 24,8%.
  • Perfil por sexo: masculino 62,8%.
  • Autodeclarados negros: 74,9%.
  • Faixa etária predominante: entre 40 e 59 anos 43,9%.
  • Informais que não contribuem para a Previdência: 83% (recuo em relação a 2015, quando era 88%).
  • Jornada média semanal: formalizados 42 horas, informais 34 horas.

O estudo mostra um cenário de aumento da formalização e de melhora relativa na escolaridade entre os empreendedores informais, com impactos diretos nos rendimentos médios e nas condições de trabalho em Sergipe.

Compartilhe essa Notícia
Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.