Embrapa Inova com Salmão, Caviar e Anéis de Lula Veganos em Laboratório

Claudio Vasconcelos
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Após 30 meses de intenso trabalho, o Laboratório de Nanobiotecnologia (LNANO) da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, localizado em Brasília, revelou uma inovação surpreendente: o desenvolvimento de alimentos impressos em 3D que imitam o sabor e a textura de filé de salmão, caviar e anéis de lula, tudo isso à base de vegetais.

Esses protótipos não apenas replicam as formas tradicionais desses alimentos, mas também possuem características nutricionais semelhantes às versões originais, oferecendo uma alternativa promissora para quem busca opções sustentáveis e saudáveis.

A bióloga Cínthia Caetano Bonatto, pesquisadora do LNANO, explica que o objetivo da pesquisa foi avaliar o teor nutricional da carne animal e identificar recursos vegetais que pudessem fornecer quantidades equivalentes de carboidratos, lipídeos e proteínas. “Buscamos insumos que nos trazem a mesma quantidade em percentual de tecido animal”, comenta.

Os alimentos foram criados utilizando tintas alimentícias compostas por proteínas vegetais, farinhas de leguminosas, óleos vegetais, algas, corantes naturais e espessantes. “Esses ingredientes são, em sua maioria, os mesmos que usamos na culinária do dia a dia”, destaca Cínthia.

“Com o material genético do repositório da própria Embrapa, é possível elaborar alimentos de base vegetal com composição o mais similar possível àquela encontrada nos animais”, explica Luciano Paulino da Silva, coordenador do projeto.

Parte dos insumos utilizados na pesquisa foi obtida dos Bancos Ativos de Germoplasma da Embrapa, que funcionam como uma “arca de Noé” do material genético de milhares de plantas, microorganismos e animais. Isso permite que os pesquisadores enriqueçam nutricionalmente os produtos impressos, uma aplicação que pode ser crucial no combate à fome e à subnutrição.

A impressão de alimentos também se apresenta como uma solução para evitar práticas predatórias, como a pesca excessiva, e minimizar o sofrimento animal. Além disso, pode atender a diferentes públicos, incluindo aqueles com restrições alimentares, como vegetarianos e veganos.

Os protótipos desenvolvidos no LNANO já foram testados por voluntários, com a devida autorização de uma comissão de ética. Luciano Paulino da Silva ressalta que esses alimentos estão “na vitrine da Embrapa”, mas ainda não há previsão para sua comercialização.

A pesquisa recebeu apoio financeiro do Good Food Institute (GFI), uma organização global que promove a criação de alimentos à base de plantas e a produção de carne cultivada em laboratório. O futuro da exploração comercial desses produtos dependerá do modelo de negócios, que pode variar entre impressoras domésticas para uso em restaurantes ou a produção em larga escala.

Alimentos impressos já estão disponíveis em mercados como Austrália, Estados Unidos, Israel e Singapura. No Brasil, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) também está conduzindo pesquisas sobre impressão de alimentos em colaboração com a Escola de Medicina da Universidade Harvard e a Universidade de Tecnologia e Design de Singapura.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.