Dólar dispara acima de R$ 5,20 e bolsa despenca no início de julho

Robson Alves
4 Min Leitura

Os mercados brasileiros abriram julho no vermelho. Juros altos nos EUA pressionaram o câmbio e afastaram investidores da bolsa, enquanto a inflação projetada para 2026 segue em 5,33%.

O dólar voltou a fechar acima de R$ 5,20 e a bolsa de valores de São Paulo encerrou o primeiro pregão de julho em queda.

Os mercados brasileiros enfrentaram pressão devido à expectativa de manutenção dos juros elevados nos Estados Unidos, o que fortaleceu a moeda norte-americana e diminuiu o apetite por ativos de risco.

Informações relacionadas incluem sanções dos EUA a brasileiros e empresas, além da projeção de inflação mantida em 5,33% para 2026.

No cenário doméstico, investidores também acompanharam indicadores econômicos e notícias sobre o cenário eleitoral em 2026.

O dólar comercial encerrou esta quarta-feira (1º) com uma alta de 0,92%, cotado a R$ 5,209. Durante o dia, a moeda alcançou uma máxima de R$ 5,219, após abrir próxima da estabilidade.

Esse é o maior nível da moeda desde 30 de março, quando fechou a R$ 5,24. No acumulado do ano, porém, o dólar apresenta uma queda de 5,08%.

O principal fator para a valorização do dólar foi o cenário externo. Investidores continuam ajustando suas posições diante da possibilidade de o Federal Reserve (Fed), Banco Central dos Estados Unidos, manter uma postura cautelosa antes de iniciar um ciclo de redução das taxas de juros.

Taxas elevadas tornam os títulos do Tesouro norte-americano mais atrativos, aumentando a demanda pelo dólar e reduzindo o fluxo de recursos para mercados emergentes, como o Brasil.

Dados divulgados nesta quarta-feira mostraram que o setor privado dos Estados Unidos criou 98 mil empregos em junho. O mercado aguarda agora o relatório oficial de emprego, o payroll, que será divulgado na quinta-feira (2) e pode influenciar os próximos passos da política monetária americana.

No mercado doméstico, operadores também acompanharam a divulgação de pesquisas eleitorais e a notícia de que Michelle Bolsonaro deixou a presidência do PL Mulher, o que adicionou cautela aos negócios.

O Ibovespa, principal índice da B3, fechou em queda de 0,20%, aos 171.688 pontos, após oscilar entre perdas superiores a 1% e uma breve alta durante a tarde. Este foi o primeiro pregão do segundo semestre, período em que investidores costumam promover ajustes em suas carteiras, aumentando a volatilidade.

O índice também reflete a expectativa em torno da política monetária dos Estados Unidos, que reduz o interesse de investidores estrangeiros por ativos de risco. Em junho, o saldo líquido dos investimentos externos na B3 ficou negativo em R$ 8,7 bilhões, mantendo a tendência observada desde abril.

Entre os destaques do dia, as ações de bancos encerraram sem direção única, enquanto os papéis de petroleiras oscilaram em meio à queda do petróleo no mercado internacional. As ações de mineradoras terminaram próximas da estabilidade.

Além do mercado de trabalho estadunidense, investidores acompanharam declarações de dirigentes do Fed e do Banco Central Europeu (BCE), que evitaram sinalizar quando poderá ocorrer uma redução das taxas de juros.

No Brasil, o Banco Central informou que o fluxo cambial do país ficou positivo em US$ 7,168 bilhões até 26 de junho, dado que teve impacto limitado sobre os mercados.

A expectativa é que os próximos indicadores da economia norte-americana definam o comportamento dos juros nos Estados Unidos, fator considerado a principal baliza para o câmbio, a bolsa e o fluxo de investimentos para mercados emergentes nas próximas semanas.

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.