Uma decisão tomada em meio ao luto transformou a morte de um jovem de 21 anos em novas oportunidades de vida para pessoas de diferentes regiões do país. Na segunda-feira, 23, a família do rapaz, vítima de acidente automobilístico em Nossa Senhora da Glória (SE), autorizou a retirada dos órgãos no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), em Aracaju.
O procedimento foi conduzido por uma força-tarefa que reuniu profissionais do Huse, da Organização de Procura de Órgãos (OPO) e da Central Estadual de Transplantes (CET), além de equipes vindas de outros estados. Após confirmação de morte encefálica, atestada por exames e avaliações clínicas estabelecidos em protocolo nacional, foram captados fígado, rins, coração e córneas.
Destinos dos órgãos
Segundo a CET, a distribuição obedeceu à lista única nacional mantida pelo Ministério da Saúde:
- Fígado – encaminhado ao Ceará;
- Rim direito – enviado ao Rio Grande do Sul;
- Rim esquerdo e coração – destinados a Pernambuco;
- Córneas – permanecem em Sergipe para transplantes locais.
Embora o transplante renal já seja realizado em território sergipano, não havia receptor compatível no estado no momento da oferta. Por isso, os rins foram disponibilizados para a Central Nacional de Transplantes, que organizou o transporte aéreo até os pacientes contemplados.
Processo pautado pelo respeito
A coordenadora da OPO, Darcyana Lisboa, ressaltou que cada etapa envolve sensibilidade e compromisso. “Antes de qualquer intervenção existe uma família vivenciando dor profunda. Nosso dever é acolher, esclarecer e assegurar que a escolha seja consciente. Quando os parentes entendem que a doação salva vidas, o gesto se converte em legado”, afirmou.
Para viabilizar o deslocamento dos órgãos, houve articulação entre taxis aéreos, empresas aéreas comerciais e unidades de saúde receptoras. A logística exigiu precisão no controle de tempo e temperatura, garantindo que cada órgão chegasse em condições ideais para transplante.
Importância do diálogo familiar
A Secretaria de Estado da Saúde lembra que a doação só ocorre com autorização dos parentes de primeiro grau. Por isso, a recomendação é que as pessoas manifestem ainda em vida o desejo de ser doadoras. Um posicionamento claro pode abreviar a decisão da família e fazer com que mais pacientes deixem a fila de espera.
Em 2023, o Huse manteve rotina permanente de notificação de potenciais doadores, contribuindo para que Sergipe avance nos índices de captação. A estratégia inclui capacitação de equipes, padronização de protocolos e campanhas de conscientização sobre o tema.
Com o procedimento realizado nesta semana, vidas em pelo menos quatro estados ganharam nova perspectiva, evidenciando o impacto de um “sim” à doação de órgãos.
Com informações de Saude.se.gov
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