Dia Mundial sem Tabaco: Tecnologia e Vapes Desafiam Combate ao Tabagismo

Claudio Vasconcelos
4 Min Leitura

No Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio, um alerta importante surge sobre o crescente consumo de cigarros eletrônicos, conhecidos como vapes, especialmente entre os jovens. Luiz Augusto Maltoni, diretor executivo da Fundação do Câncer, destaca como novas tecnologias têm contribuído para a camuflagem desses dispositivos, tornando-os mais atraentes e acessíveis.

A campanha da Organização Mundial da Saúde (OMS) deste ano, intitulada “Desmascarando o apelo, combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, coincide com os alertas sobre os riscos dos vapes. Apesar da proibição da venda de cigarros eletrônicos no Brasil desde 2009, o uso desses produtos cresceu exponencialmente, principalmente entre adolescentes.

Dados da Receita Federal revelam que, entre janeiro e fevereiro de 2026, foram apreendidas 238.801 unidades de vapes no país, o que equivale a uma média de mais de 4 mil dispositivos por dia. Essa crescente popularidade levanta preocupações sobre uma nova geração de dependentes da nicotina.

Maltoni ressalta que muitos vapes são projetados para parecer inofensivos, com aromas e disfarces tecnológicos que dificultam a percepção de seu uso. Entre os formatos inovadores, destacam-se os moletons com vaporizadores embutidos, que permitem que os jovens inalem nicotina sem serem notados.

“De uma maneira totalmente articulada, e muito mal articulada do ponto de vista da ética, criam até casaco com bocal escondido para a pessoa fumar”, critica Maltoni.

Ele alerta que essas inovações comprometem anos de progresso nas políticas de controle do tabaco no Brasil, que se tornaram referência global. “O que estamos vendo agora é um risco real de retrocesso, agora embalado em tecnologia e integrado ao cotidiano dos jovens.”

Para combater essa situação, a Fundação do Câncer lançou a campanha “Spoiler: ele não te ama”, que busca conscientizar os jovens sobre os perigos dos vapes. O filme, que simula uma reportagem, apresenta três jovens que relatam experiências de dependência e os efeitos nocivos dos cigarros eletrônicos.

“Sugere que quem nunca experimentou, que não experimente para não viciar. E quem já está fumando, que pare”, enfatiza Maltoni.

Os novos dispositivos de vape não apenas oferecem uma experiência de inalação, mas também incorporam tecnologia interativa, como telas sensíveis ao toque e recursos de comunicação. Essa fusão entre dependência química e digital é alarmante, especialmente para adolescentes, conforme apontam estudos recentes que mostram um aumento significativo no uso entre jovens de 13 a 17 anos.

A consultora da Fundação do Câncer, Milena Maciel de Carvalho, alerta para os efeitos da nicotina no desenvolvimento cerebral dos adolescentes. “A exposição à nicotina na adolescência pode afetar o desenvolvimento do cérebro, especialmente áreas relacionadas à atenção, aprendizagem, humor e controle de impulsos,” explica.

Além disso, os vapes podem expor os usuários a substâncias tóxicas, aumentando os riscos de problemas respiratórios e cardiovasculares. Maltoni defende que o Brasil adote medidas semelhantes às da Inglaterra, que restringiu a venda de produtos de tabaco para quem nasceu após 1º de janeiro de 2009, como forma de proteger a saúde dos jovens e combater a crescente popularidade dos vapes.

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.