Déficit público dispara para R$ 56 bi em maio e bate recorde no ano

Robson Alves
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O rombo nas contas públicas cresceu 66% em relação a maio de 2025. No acumulado de 12 meses, o déficit já passa de R$ 149 bilhões, segundo o Banco Central.

O setor público consolidado, que abrange União, estados, municípios e empresas estatais, registrou um déficit primário de R$ 56,1 bilhões em maio de 2026. Este valor representa um aumento em relação ao mesmo mês do ano anterior, quando o déficit foi de R$ 33,7 bilhões. As informações foram divulgadas pelo Banco Central no relatório Estatísticas Fiscais.

No acumulado dos últimos 12 meses até maio, o déficit primário alcançou R$ 149 bilhões, correspondendo a 1,14% do PIB. Esse resultado é 0,16 ponto percentual superior ao acumulado até abril.

O relatório também destacou que o Governo Central, que inclui Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social, teve um déficit de R$ 55,2 bilhões. Já os governos regionais apresentaram um déficit de R$ 1,2 bilhão. Por outro lado, as empresas estatais registraram um superávit de R$ 0,3 bilhão.

Os gastos do setor público com juros nominais totalizaram R$ 107,5 bilhões em maio, um aumento em relação aos R$ 92,1 bilhões do mesmo mês em 2025. O Banco Central informou que essa elevação se deve, em parte, ao aumento no estoque do endividamento líquido no período.

“No acumulado em 12 meses até maio, os juros nominais alcançaram R$ 1.111 bilhões, o que corresponde a 8,48% do PIB, em comparação aos R$ 946,1 bilhões, ou 7,74% do PIB, nos 12 meses até maio de 2025”, afirmou o BC.

Com esses dados, o resultado nominal do setor público consolidado, que inclui o resultado primário e os juros nominais apropriados, foi deficitário em R$ 163,7 bilhões em maio. Em 12 meses, o déficit nominal acumulado chegou a R$ 1.260 bilhões, representando 9,62% do PIB, mantendo-se estável em relação ao mês anterior.

A Dívida Líquida do Setor Público atingiu R$ 8,9 trilhões, o que corresponde a 67,9% do PIB em maio, apresentando um aumento de 0,7 ponto percentual do PIB no mês.

“Esse resultado refletiu, sobretudo, os impactos dos juros nominais apropriados, do déficit primário, da desvalorização cambial de 1,4% no mês e do efeito da variação do PIB nominal”, justificou o relatório.

No acumulado do ano, a dívida líquida do setor público cresceu em 2,7 pontos percentuais do PIB, destacando-se os impactos dos juros nominais e da desvalorização cambial acumulada.

A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) ficou em R$ 10,6 trilhões, equivalendo a 81,1% do PIB, com um aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao mês anterior. O Banco Central atribui esse crescimento, entre outros fatores, aos juros nominais apropriados e às emissões líquidas de dívida.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.