Parlamentares que compõem a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social aprovaram, nesta quinta-feira (26), o acesso aos dados bancários, fiscais e aos relatórios de inteligência financeira do empresário Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido foi apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Segundo o parlamentar, a medida é “imperativa” para aprofundar as investigações sobre o esquema de descontos associativos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas.
Fábio Luís, conhecido como Lulinha, apareceu em mensagens extraídas do celular de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, apontado pela Polícia Federal como principal operador da fraude. Nos diálogos, há referência ao repasse de pelo menos R$ 300 mil para “o filho do rapaz”, que, de acordo com os investigadores, seria Lulinha.
Em nota divulgada na véspera da votação, a defesa do empresário afirmou que ele “não tem qualquer relação com desvios no INSS” e solicitou ao Supremo Tribunal Federal acesso integral aos autos para se manifestar. O advogado Guilherme Suguimori Santos disse que o cliente está à disposição para prestar esclarecimentos quando obtiver vista do processo.
Votação em bloco e tumulto
Durante a 32ª reunião da CPMI, deputados e senadores apreciaram 87 requerimentos em bloco. Além do rompimento de sigilos de Lulinha, foi aprovada a quebra de sigilos do Banco Master e a convocação de seu ex-sócio Augusto Ferreira Lima, que deixou a instituição em 2024. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) sustenta que Lima teria participado de manobras para ocultar irregularidades identificadas pelo Banco Central.
Também receberam aval os pedidos de convocação do ex-deputado federal André Luis Dantas Ferreira, o André Moura; da empresária Danielle Miranda Fontelles, suspeita de operar recursos no exterior; e de Gustavo Marques Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e investigado na operação deflagrada em 18 de dezembro do ano passado.
Após a proclamação do resultado, houve início de confusão no plenário, com empurra-empurra e troca de socos, o que levou o presidente da comissão, deputado Carlos Viana (Podemos-MG), a suspender a sessão temporariamente.
Próximos depoimentos
A CPMI agendou para as próximas reuniões o depoimento do empresário Paulo Camisotti, filho de Maurício Camisotti, preso por suposta participação no esquema. O colegiado pretendia ainda ouvir o deputado estadual Edson Cunha de Araújo (PSB-MA) e o advogado Cecílio Galvão.
Araújo alegou problemas de saúde e restrição judicial que o impede de deixar São Luís (MA) e de se aproximar do deputado federal Duarte Junior (PSB-MA), integrante da comissão. Galvão, por sua vez, afirmou ter compromissos profissionais; diante da justificativa, Carlos Viana determinou que o Senado adote providências para eventual condução coercitiva do advogado em data futura.
Com a aprovação das novas diligências e convocações, a CPMI pretende avançar na apuração do prejuízo bilionário causado a segurados do INSS em todo o país.
Com informações de Agência Brasil
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