Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres encerra debate em Brasília e cobra ações para todas as “mulheridades”

Rafael Ramos
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Quase 4 mil delegadas encerraram, na quarta-feira (1º), a 5ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres (5ª CNPM), em Brasília. Durante três dias, o encontro discutiu a ampliação de direitos, o enfrentamento às desigualdades e a formulação de políticas públicas que contemplem todas as “mulheridades” — termo adotado para abranger a diversidade de identidades femininas no país.

Realizada sob o lema “Mais Democracia, Mais Igualdade, Mais Conquistas para Todas”, a conferência aprovou propostas destinadas a subsidiar a atualização do Plano Nacional de Políticas para Mulheres e a orientar o governo federal na criação de ações para as mais de 100 milhões de brasileiras.

Vozes diversas

Representantes de diferentes perfis ocuparam os plenários: mulheres negras, indígenas, quilombolas, com deficiência, LBTs, ciganas, migrantes, jovens, idosas, do campo, das águas e das cidades. O conceito de “mulheridades” foi lembrado nos corredores como símbolo da pluralidade feminina.

A paulista Mayara Alice Zambon, de Jundiaí, defendeu respeito à diversidade e ressaltou o feminismo interseccional. A enfermeira maranhense Dalvilene Cardoso, que integra coletivo de mulheres com deficiência em São Luís, pediu o fim da jornada de trabalho 6×1 e políticas de cuidado.

Da cadeira de rodas, a produtora cultural Vanessa Cornélio, de São José do Rio Preto (SP), denunciou o capacitismo. “Precisamos de políticas educacionais que derrubem o rótulo de dependência”, afirmou.

A indígena Magna Caibé percorreu 1,5 mil quilômetros, de Euclides da Cunha (BA) até a capital federal, para rechaçar a violência contra mulheres em aldeias. “Nossa cultura é ancestralidade, não violência”, disse.

Professora de Aracaju, Maria Elisângela Santos criticou a diferença salarial que reduz em até 50% os rendimentos de mulheres negras em comparação a homens brancos. Já a estudante de direito Ana Eva dos Santos, de 24 anos, relatou enfrentar transfobia diariamente e defendeu políticas específicas para pessoas trans em situação de rua.

A sacerdotisa de umbanda Iyá Nifá Ifálere levou ao evento as demandas das mães de axé e alertou para a intolerância religiosa. No litoral do Maranhão, a secretária municipal da Mulher de Tutóia, Cristiana Rocha Diniz, cobrou recursos para implementar a Patrulha Maria da Penha. “Há política, mas faltam verbas e capacitação”, declarou.

Francine Gagliotti viajou de São Paulo para representar mulheres que não puderam participar. “Tudo precisa chegar àquelas que trabalham 8, 12 horas por dia e não conseguem estar aqui”, frisou.

Deliberações finais

Ao fim das discussões, delegadas votaram propostas sobre combate à violência de gênero, igualdade salarial, participação feminina em espaços de poder e políticas de cuidado. O material aprovado segue agora para o Ministério das Mulheres, responsável por consolidar o novo plano nacional.

Presente ao encerramento, a ministra das Mulheres, Marcia Lopes, destacou que o trabalho não termina com o evento. “Mesmo concluindo a 5ª CNPM, a conferência não acaba hoje; ela continua nos territórios até a realização da 6ª edição”, disse.

Coro coletivo

Antes da votação, as participantes entoaram em uníssono a canção “Maria, Maria”, de Milton Nascimento e Fernando Brant, em homenagem à força e à resiliência feminina, reforçando o espírito de união que marcou a conferência.

Com as deliberações aprovadas, o encontro encerrou o ciclo nacional iniciado em etapas municipais e estaduais, consolidando demandas que deverão orientar futuras ações governamentais voltadas a todas as “mulheridades” brasileiras.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.