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Um estudo do Centro Internacional de Equidade em Saúde da Universidade Federal de Pelotas (ICEH/UFPel), em parceria com a organização Umane, divulgado em 13 de abril de 2026, mostra que embora 99,4% das gestantes no Brasil façam ao menos uma consulta de pré-natal, a cobertura entre a primeira e a sétima consulta cai para 78,1%.
A pesquisa, baseada em mais de 2,5 milhões de nascimentos registrados no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc) em 2023 pelo Ministério da Saúde, aponta desigualdades claras no acompanhamento pré-natal. Mulheres com maior escolaridade chegam a completar o pacote de consultas em 86,5% dos casos, enquanto entre as que têm menor tempo de escolarização a proporção reduz-se para 44,2%.
O levantamento destaca ainda diferenças por origem étnico-racial. Apenas 51,5% das mulheres indígenas finalizaram o acompanhamento recomendado, contra 84,3% das brancas, 75,7% das pretas e 75,3% das pardas. Quando se observa o recorte por escolaridade entre indígenas, somente 19% delas atingiram o número de consultas sugerido, frente a 88,7% das mulheres brancas com 12 anos ou mais de estudo. O abandono do acompanhamento entre indígenas chega a 46,2 pontos percentuais, valor três vezes maior que o registrado entre mulheres brancas (15,3 pontos percentuais).
Por região, a cobertura integral do pré-natal é menor na Região Norte (63,3%). Em seguida aparecem Nordeste (76,1%), Centro-Oeste (77%), Sudeste (81,5%) e Sul (85%). Entre adolescentes com menos de 20 anos, o serviço é completamente alcançado por 67,7%, enquanto mulheres com mais de 35 anos atingem 82,6%.
A pesquisadora responsável pelo estudo no ICEH/UFPel, Luiza Eunice, lembra que o parâmetro de sete consultas é recente e foi ampliado em 2024, quando o governo federal lançou a Rede Alyne, estratégia para reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027, com meta de reduzir pela metade os casos entre gestantes negras.
“É esse apoio, esse vínculo, essa captação ativa dessa gestante que vai melhorar a navegação dela para ela retornar às consultas”, disse a pesquisadora.
Luiza Eunice, nutricionista e doutora em saúde pública, defende ações para enfrentar racismo estrutural e discriminação na oferta de cuidados, além de programas direcionados a adolescentes e a mulheres com menor escolaridade. Ela aponta também a necessidade de transporte público adequado e do fortalecimento do vínculo entre gestante e profissionais de saúde para garantir o retorno às consultas.
Para Evelyn Santos, gerente de Investimento e Impacto Social da Umane, avanços na atenção primária ocorreram, mas preencher demandas de populações vulneráveis exige mais atuação do poder público. Em entrevista à Agência Brasil, ela afirmou que o sistema deve ser proativo para garantir pré-natal adequado independentemente de cor, residência ou escolaridade.
Como funciona o pré-natal
O pré-natal tem a função de identificar precocemente doenças e condições que possam afetar a mãe e o bebê, permitindo intervenções médicas e reduzindo riscos no parto. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) recomenda o aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e a introdução de alimentação complementar aos 6 meses, mantendo o leite materno como principal fonte de nutrição até os 2 anos ou mais. (Ver orientações da SBP aqui.)
A frequência das consultas deve ser mensal até a 28ª semana; a cada 15 dias, da 28ª à 36ª semana; e semanal no final da gestação. A lista de exames de rotina pode incluir hemograma, tipagem sanguínea e fator RH, glicemia em jejum, testes rápidos para sífilis/VDRL e HIV, sorologias para toxoplasmose e hepatite B, além de exame de urina/urocultura. Também podem ser solicitadas ecografia obstétrica, citopatológico de colo do útero, exame de secreção vaginal e parasitológico de fezes. (Fonte: Fiocruz aqui.)
O estudo completo está disponível no site do Observatório da Saúde Pública do Centro de Equidade: https://observatoriosaudepublica.com.br/pesquisas/centro-de-equidade/pre-natal/.
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