Cirurgias cardíacas infantis no SUS recebem orientação on-line de especialistas de São Paulo

Claudio Vasconcelos
3 Min Leitura

Um projeto de telemedicina está permitindo que cirurgias cardíacas de crianças atendidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Fortaleza (CE), Recife (PE) e Manaus (AM) contem com a orientação em tempo real de especialistas do Hospital do Coração de São Paulo (HCor).

Chamado de Congênitos, o programa integra a linha de cuidado da cardiopatia congênita infantil e já beneficiou pacientes como Laura, de 7 meses, operada em agosto no Hospital Infantil Albert Sabin, na capital cearense. A menina, que nasceu com malformação cardíaca associada à Síndrome de Down, foi acompanhada remotamente por uma equipe paulista durante todo o procedimento.

Como funciona a teleorientação

A cada semana, médicos dos três hospitais regionais discutem casos e definem a melhor conduta cirúrgica com colegas do HCor. Uma vez por mês, um paciente é operado com monitoramento à distância: câmeras instaladas na cabeça do cirurgião exibem o campo operatório, enquanto dados de pressão arterial, frequência cardíaca, oxigenação e anestesia são compartilhados em tempo real.

O sistema foi desenvolvido pelo Núcleo de Inovação do Instituto do Coração (Incor) da Universidade de São Paulo (USP). Segundo a cardiologista pediátrica Geni Medeiros, do Hospital Infantil Albert Sabin, a plataforma permite que “uma equipe de experts acompanhe cada etapa, sugira condutas e discuta melhores práticas”.

Demanda crescente

O Ministério da Saúde estima que cerca de 30 mil crianças nascem todos os anos no Brasil com algum tipo de cardiopatia congênita. Dessas, 80% necessitarão de cirurgia, o que representa mais de 11 mil procedimentos anuais; metade deles precisa ocorrer no primeiro ano de vida.

Nem todas as unidades de saúde dispõem de estrutura para cirurgias complexas. Em Fortaleza, por exemplo, o Hospital Infantil Albert Sabin recebe cerca de 80 pacientes com cardiopatias por semana e ainda encaminha casos graves para o Hospital de Messejana. “Temos espaço para crescer em volume e complexidade”, afirma Geni Medeiros.

Aperfeiçoamento técnico

Para a líder do Serviço de Cardiologia Pediátrica do HCor, Ieda Jatene, o objetivo é padronizar protocolos e elevar a capacidade dos serviços regionais. “Eles já realizam cirurgias de baixa e média complexidade; queremos preparar as equipes para tratar casos que hoje precisam ser transferidos”, diz.

Jatene destaca que a intervenção no momento adequado reduz internações, infecções recorrentes e complicações pós-operatórias. “Com técnica e recursos corretos, a criança pode ter vida praticamente normal”, resume.

Programa até 2026

O projeto integra o Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS). As três unidades — Hospital Infantil Albert Sabin, Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (Recife) e Hospital Francisca Mendes (Manaus) — foram selecionadas pelo Ministério da Saúde por atenderem regiões com menor oferta de cirurgia cardíaca infantil. A meta é realizar 60 cirurgias teleorientadas até o próximo ano.

Fonte: Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.