Chongqing exibe como a China virou potência industrial e tecnológica

Robson Alves
5 Min Leitura

Com 32 milhões de habitantes, o município reúne fábricas, arranha-céus e obras urbanas gigantes. A estação Liziba, atravessada pelo metrô, simboliza o ritmo acelerado da cidade.

A transformação da China nas últimas cinco décadas, de país pobre e rural para potência industrial e tecnológica, pode ser observada em Chongqing, município onde habitam 32 milhões de pessoas.

Um dos principais polos industriais do país, Chongqing une a arquitetura tradicional chinesa a arranha-céus modernos e a edifícios marcados pelo tempo. A cidade conta com enormes complexos de viadutos e com a incomum estação de metrô Liziba, que passa por dentro de prédios.

Nesta semana, uma equipe de reportagem visitou o município — conhecido como cidade dos rios, das montanhas e das neblinas — e constatou que o tempo fechado e as cadeias de montanhas ao redor ajudam a explicar a fama local.

Situada no interior do sudoeste da China e cortada pelo rio Yangtzé, o maior da Ásia, e pelo rio Jialing, Chongqing é definida por Pequim como cidade-chave para a economia nacional. Com 82,4 mil quilômetros quadrados, representa quase o dobro da extensão do estado do Rio de Janeiro (43 mil km²) e é o maior município em extensão territorial do mundo. Oito milhões de pessoas vivem no principal centro urbano e as demais 24 milhões estão distribuídas por 37 distritos.

Em 1997, a China transformou o município em cidade “nacional” vinculada ao governo central, medida que tornou Chongqing destino privilegiado das políticas de desenvolvimento traçadas por Pequim.

Polo industrial

Chongqing concentra 39 das 41 grandes indústrias do país e todas as 31 principais categorias de manufatura chinesas. A cidade abriga 19 fabricantes completos de veículos e mais de 1,2 mil empresas de autopeças.

O silêncio dos motores nas ruas e as várias estações de recarga para veículos mostram que Chongqing é um centro de produção de carros elétricos. Além disso, sedia indústrias de equipamentos militares, tecnologia nuclear, construção naval e aeroespacial.

A vida noturna, o comércio intenso e a culinária apimentada — marcada pelos hot pots, espécie de fondue chinês com alimentos cozidos nas mesas — têm colocado Chongqing entre destinos turísticos relevantes.

Agenda internacional e meio ambiente

Ao participar do Fórum da Civilização do Rio Yangtzé, na última semana, o secretário do Comitê Municipal do Partido Comunista da China em Chongqing, Yuan Jiajun, destacou o esforço da cidade em aplicar o conceito de “civilização ecológica” definido pelo presidente chinês Xi Jinping.

“A prática dinâmica da construção de uma nova Chongqing moderna comprova plenamente a poderosa força da verdade e a grande capacidade prática do pensamento de Xi Jinping sobre o Socialismo com Características Chinesas para uma Nova Era”

Chongqing também é um dos principais centros logísticos da Nova Rota da Seda, conectando fábricas locais a mercados na Europa, Ásia Central e Rússia por mais de 1,3 mil quilômetros de rotas ferroviárias e mais de 4,7 mil quilômetros de rodovias expressas. O Yangtzé leva mercadorias ao porto de Xangai, a 1,4 mil quilômetros de distância.

O professor André Pereira Reinnert Tokarski, que esteve em Chongqing pela segunda vez e coordena projeto de cooperação entre Brasil e China sobre governança fluvial, avaliou a mudança na relação da cidade com o rio Yangtzé.

“A cidade vivia brigando com o rio [Yangtzé], lutando para sobreviver às ameaças que o rio eventualmente representava, de grandes enchentes e deslizamentos de terra. Até que buscou se reconciliar para olhar para a natureza não como uma inimiga, mas sim a se adaptar”

Para o pesquisador, Chongqing está no centro do conceito de “civilização ecológica”, que busca conciliar desenvolvimento, melhoria da qualidade de vida e preservação ambiental.

Repórter viajou a convite do Comitê Municipal do Partido Comunista Chinês (CPC) em Chongqing e da Academia Chinesa de Ciências Sociais (CASS).

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.