“Chip da beleza” cresce em popularidade, mas tem uso sem aprovação da Anvisa

Gleide Selma
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Foto: Os riscos à saúde associados ao uso estético do chamado chip da beleza

Implantes hormonais atraem quem busca mudanças rápidas no corpo; endocrinologista explica possíveis consequências e questiona ausência de evidências para finalidade estética

A endocrinologista e professora da Universidade Tiradentes (Unit) Fernanda Ramos chama atenção para o emprego de hormônios sem indicação científica comprovada para fins estéticos nos chamados “chips da beleza”.

A endocrinologista e metabologista Fernanda Ramos, professora da Universidade Tiradentes (Unit), chama atenção para o emprego de hormônios sem indicação científica comprovada para fins estéticos. “A questão é que se criou o termo ‘chip da beleza’ com um nome comercialmente atrativo para inserir hormônios no corpo feminino que não têm aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), sem estudo de validação científica e, portanto, sem previsibilidade de dose, efeitos colaterais e riscos associados ao seu uso”, explica.

A gestrinona está entre as substâncias mais presentes nesses implantes e, em muitos casos, aparece associada a compostos de ação androgênica, como a testosterona. “A preocupação não está apenas no resultado prometido, mas também na exposição do organismo a níveis hormonais que podem provocar alterações em diferentes sistemas”, alerta a médica.

Os riscos no organismo

Segundo Fernanda, a utilização inadequada desses hormônios pode elevar os riscos cardiovasculares, contribuir para a resistência à insulina e alterar negativamente o perfil lipídico. “Essas alterações podem contribuir para o desenvolvimento de doença aterosclerótica e aumentar a possibilidade de eventos como infarto e AVC. Também podem ocorrer aumento da pressão arterial, crescimento da gordura visceral, hipertrofia miocárdica e maior risco de arritmias e morte súbita”, observa.

Outro órgão que pode sofrer consequências é o fígado — a endocrinologista cita entre as possíveis complicações a hepatite medicamentosa, a insuficiência hepática e os tumores hepáticos. Também existem efeitos relacionados à masculinização do corpo feminino, como aumento da oleosidade da pele, espinhas, alopecia, aumento da pilificação em locais sensíveis aos andrógenos e alteração permanente da voz, segundo a médica.

Fernanda recomenda buscar informações antes de qualquer procedimento, com consulta a conteúdos da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), além da verificação sobre a autorização da Anvisa para a substância. Para objetivos como emagrecimento ou ganho de massa muscular, ela cita alternativas com respaldo científico: alimentação equilibrada, exercícios, sono adequado e manejo do estresse.

Por Laís Marques — com informações da Asscom Unit

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