Chefe da PF afirma que investigações sobre emendas ignoram “estatura política”

Rafael Ramos
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O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, declarou nesta segunda-feira, 15 de dezembro de 2025, que a corporação não considera o peso político, econômico ou social de qualquer pessoa ao apurar suspeitas de desvio de verbas em emendas parlamentares.

“Vamos, com serenidade, seriedade e responsabilidade, apurar todos os elos desse processo, a participação de quem quer que seja”, afirmou Rodrigues durante café da manhã com jornalistas na sede da PF, em Brasília, onde apresentou o balanço anual de atividades.

A fala ocorre três dias depois da Operação Transparência, deflagrada na sexta-feira (12), para investigar desvios no chamado orçamento secreto — mecanismo que dificultava identificar o autor da indicação ou o beneficiário final dos recursos públicos.

Alvos e decisões judiciais

O principal alvo da operação é Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, servidora do Legislativo e ex-assessora próxima do deputado Arthur Lira (PP-AL) durante sua gestão na Presidência da Câmara. Nesse período, houve forte aumento na liberação de emendas de relator (RP9) e de outras modalidades, como emendas de comissão e de bancada.

A investigação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que permitiu buscas e apreensões em dependências da Câmara dos Deputados e na residência de Fialek. Segundo a decisão, a servidora teria atuado de forma “contínua, sistemática e estruturada” na organização e liberação dos recursos.

PF resiste a pressões políticas

Rodrigues disse que a Polícia Federal permanece “inabalável a pressões políticas” e criticou a “fulanização” das investigações. Reforçou ainda que a corporação não pretende “criminalizar a emenda em si nem a atividade política”.

“A emenda parlamentar é instrumento legítimo, legal, e precisa ser utilizada de acordo com as normas”, pontuou. Ele evitou detalhar quantas apurações sobre emendas tramitam atualmente, informando apenas que parte delas corre sob sigilo em diferentes gabinetes do STF.

Críticas ao Legislativo

Durante o encontro com a imprensa, o diretor-geral também cobrou coerência de parlamentares que se manifestam contra o crime organizado, mas, segundo ele, não apoiam projetos fundamentais nesse combate. “Não adianta ser duro contra o crime organizado, acabar com saidinha, e ao mesmo tempo não aprovar projetos importantes”, declarou.

Até o momento, o deputado Arthur Lira não figura formalmente como investigado nos inquéritos relacionados à Operação Transparência.

Fonte: Agência Brasil

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.