Sociedade Brasileira de Reumatologia cobra ampliação de centros de infusão no SUS

Claudio Vasconcelos
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Pacientes que dependem de medicamentos imunobiológicos no Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam dificuldade para receber a aplicação dos remédios. A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR) alerta que o país conta com apenas 61 centros de terapia assistida, a maioria privada e concentrada no Sudeste, e defende a criação de protocolos e financiamento federal para ampliar o serviço.

O reumatologista Vander Fernandes, coordenador da Comissão de Centros de Terapia Assistida da SBR, afirmou à Agência Brasil que há um “vazio” entre a entrega do medicamento e a aplicação segura. A declaração ocorreu durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, realizado de 17 a 20 de setembro, em Salvador (BA).

Paciente viaja para receber infusão

Morador de Guarulhos (SP), Fernando Henrique dos Santos, 42 anos, foi diagnosticado com artrite reumatoide em 2018 e, mais recentemente, com espondilite anquilosante. Para controlar a doença, precisa de infliximabe a cada oito semanas. Embora o remédio seja fornecido gratuitamente, Santos passou a se deslocar até a capital paulista para receber a infusão, após o fim de um convênio entre o laboratório fabricante e o governo estadual.

“Pelo SUS eu não consigo fazer o tratamento”, relata o paciente, atualmente afastado do trabalho.

Risco de perda de medicamentos

Segundo Fernandes, os imunobiológicos exigem equipe especializada, controle de temperatura e até diluição adequada. Sem estrutura, há risco de perda de eficácia e de reações adversas não monitoradas. “Tem pessoas com o remédio na mão sem ter onde aplicar”, frisou.

Números apontam carência de assistência

Levantamento da SBR mostra que apenas 11 dos 61 centros de terapia assistida têm contrato com o SUS. A estimativa é de 20 mil pacientes que dependem de imunobiológicos endovenosos fornecidos pelo sistema público.

Em julho de 2023, a rede de associações de pacientes Biored Brasil ouviu 761 usuários do SUS. O estudo apontou que:

  • 10% estavam sem acesso à aplicação;
  • 46% não dispunham de centro próximo à residência;
  • 55% pagavam entre R$ 150 e R$ 200 por infusão;
  • apenas 20% utilizavam centros de terapia assistida do SUS.

Ministério da Saúde estuda solução

Procurado, o Ministério da Saúde informou que analisa a criação de pontos que possam se tornar centros de terapia assistida. O processo está em fase de estudos técnicos.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.