Câmara prevê votação em abril de projeto que regula trabalho por aplicativos

Portal de Notícias Foco SE
3 Min Leitura

O Projeto de Lei Complementar 152/25, que define normas para a atuação de entregadores e motoristas vinculados a plataformas digitais, deverá ser analisado pelo plenário da Câmara dos Deputados até o início de abril.

A informação foi confirmada nesta terça-feira (10) pelo presidente da Casa, deputado Hugo Motta, após reunião na residência oficial da Presidência da Câmara. Segundo ele, o objetivo é aprovar um texto que ofereça proteção mínima aos trabalhadores sem inviabilizar o modelo de negócios das empresas de tecnologia.

Divergência sobre tarifa mínima

O principal impasse envolve a fixação de uma remuneração básica para entregadores. A equipe econômica do governo defende o pagamento mínimo de R$ 10 por serviço, acrescido de R$ 2,50 por quilômetro percorrido. A proposta enfrenta resistência de parte dos parlamentares e das plataformas, que alegam realidades econômicas distintas entre grandes centros e cidades menores.

Relator da matéria na Comissão Especial, o deputado Augusto Coutinho (Republicanos-PE) declarou que esse é o único ponto ainda sem consenso. Para ele, valores uniformes podem inviabilizar o serviço em regiões onde o preço médio de alimentos e entregas é inferior ao praticado em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro ou Brasília.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, afirmou que tentará manter a tarifa mínima no texto. Caso o dispositivo seja retirado, o Executivo planeja apresentá-lo novamente como emenda durante a votação em plenário. Boulos argumenta que a ausência de regras favorece apenas as plataformas e reduz a renda dos prestadores. Ele citou que, em alguns casos, a taxa de retenção das empresas chega a 50% do valor pago pelo passageiro ou cliente.

Motoristas sem valor mínimo

Durante as negociações, houve acordo para retirar a fixação de preço mínimo das corridas de motoristas de aplicativos. De acordo com Coutinho, 25% das viagens no país custam menos de R$ 8,50, o que inviabilizaria a aplicação de um piso nacional.

Segurança previdenciária

O texto em discussão prevê a obrigatoriedade de contribuição dos trabalhadores à Previdência Social. Para o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, a iniciativa representa um avanço, ao estabelecer uma rede de proteção mínima que poderá ser aprimorada anualmente conforme a evolução do mercado.

Próximos passos

Hugo Motta informou que líderes partidários e representantes do governo seguem negociando ajustes para a versão final do relatório. A Comissão Especial, presidida pelo deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), deve se reunir nesta quarta-feira (11) com integrantes do Executivo e parlamentares para buscar entendimento sobre a tarifa dos entregadores.

Dados do governo federal apontam a existência de aproximadamente 2,2 milhões de trabalhadores que utilizam plataformas como Uber, 99 Táxi, iFood e InDrive no Brasil.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Conta institucional do Foco SE. Assina as matérias produzidas ou editadas pela equipe do portal, quando não há assinatura individual. Correções, complementações e pedidos de direito de resposta podem ser enviados para contato@focose.com.br e são publicados com o mesmo destaque da matéria original, nos termos da Lei nº 13.188/2015.