Rio de Janeiro – O engenheiro agrônomo brasileiro Luciano Andrade Moreira foi apontado pela revista científica Nature como uma das dez personalidades que mais influenciaram a ciência em 2025. O pesquisador integra a lista anual “Nature’s 10”, divulgada nesta segunda-feira (08/12).
Há mais de dez anos, Moreira lidera, em parceria com outros cientistas, estudos sobre a introdução da bactéria Wolbachia no mosquito Aedes aegypti. O método, conhecido como Método Wolbachia, reduz a capacidade de o inseto transmitir os vírus da dengue, zika e chikungunya.
Como funciona o método
Artigo publicado pelo grupo em 2009 comprovou que mosquitos infectados pela bactéria apresentam menor probabilidade de contrair esses vírus. Ainda não se sabe exatamente por que isso ocorre; segundo a Nature, a hipótese é que a Wolbachia dispute recursos com os vírus ou estimule a produção de proteínas antivirais.
Os insetos tratados, apelidados de “wolbitos”, são liberados em áreas urbanas. Ao acasalar com mosquitos locais, transmitem a bactéria para as gerações seguintes, criando populações naturalmente resistentes aos arbovírus.
Produção em escala
A multiplicação dos “wolbitos” é feita em uma biofábrica situada em Curitiba (PR), administrada por Moreira. A unidade resulta de parceria entre a Fiocruz, o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP) e o World Mosquito Program (WMP), organização sem fins lucrativos presente em 14 países.
Implantação no Brasil
O Ministério da Saúde incorporou o Método Wolbachia à estratégia nacional de enfrentamento das arboviroses. Até o momento, o projeto está em implantação em Balneário Camboriú (SC), Brasília (DF), Blumenau (SC), Joinville (SC), Luziânia (GO) e Valparaíso de Goiás (GO). A escolha dos municípios leva em conta indicadores epidemiológicos e o número elevado de casos nos últimos anos.
Reconhecimento internacional
Publicada desde 1869, a britânica Nature é a revista científica mais citada do mundo. A seleção “Nature’s 10” não é um prêmio formal nem ranking acadêmico, mas destaca anualmente pesquisadores e iniciativas de impacto global. Em 2023, a lista incluiu a ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, pelo trabalho no combate ao desmatamento na Amazônia Legal.
Fonte: Agência Brasil
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