Brasil oficializa apoio a Michelle Bachelet para comandar a ONU

Robson Alves
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, nesta segunda-feira (2), que o governo brasileiro apoiará a candidatura da ex-presidente do Chile Michelle Bachelet ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na postagem divulgada em redes sociais, Lula argumentou que, após oito décadas de existência, chegou o momento de a entidade ser liderada, “finalmente”, por uma mulher.

O chefe do Executivo destacou o percurso de Bachelet. Ela foi a primeira mulher a chefiar o governo chileno, função exercida em dois mandatos, além de ter sido a primeira ocupante feminina dos ministérios da Defesa e da Saúde no país vizinho. Fora do âmbito nacional, comandou a criação e a consolidação da ONU Mulheres, na condição de diretora-executiva inaugural, e atuou como alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos.

Segundo Lula, a ex-presidente chilena demonstrou capacidade de proteger populações vulneráveis, impulsionar o reconhecimento do direito a um meio ambiente limpo e proporcionar voz a grupos que “mais precisam ser ouvidos”. Para o mandatário brasileiro, sua “experiência, liderança e compromisso com o multilateralismo” habilitam-na a dirigir a ONU em um cenário internacional marcado por conflitos, desigualdades e retrocessos democráticos.

Apoio tripartite

Em comunicado divulgado pelo Itamaraty, os governos de Chile, Brasil e México formalizaram conjuntamente a candidatura nesta mesma segunda-feira. O texto ressalta que a iniciativa reflete o propósito dos três países de reforçar o sistema multilateral e de oferecer uma liderança preparada para responder aos desafios atuais.

O Ministério das Relações Exteriores assinala que a trajetória de Bachelet em conduzir processos políticos complexos, sua aptidão para facilitar o diálogo e seu compromisso com os valores fundamentais da ONU “representam contribuição substantiva” para tornar a organização mais eficaz, representativa e voltada ao bem-estar das pessoas. A nota ainda salienta o contexto internacional de “grande complexidade” e reafirma o multilateralismo como pilar de uma governança global baseada na cooperação e no respeito à autodeterminação dos povos.

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Imagem: REUTERS/Denis Balibouse/Direitos Reservados

Sucessão no secretariado

O português António Guterres ocupa a Secretaria-Geral desde janeiro de 2017. Reeleito em 2021, cumpre segundo mandato que vai de 2022 a 2026. O novo titular da função assumirá em 1º de janeiro de 2027, dando início a um período de cinco anos à frente da organização.

Ao defender publicamente Bachelet, o governo brasileiro reforça a intenção de ver uma mulher no mais alto posto da diplomacia multilateral, além de sinalizar alinhamento com países latino-americanos que compartilham a mesma visão para o futuro da ONU.

Com informações de Agência Brasil

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.