O vice-presidente Geraldo Alckmin e o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, divulgaram nesta quinta-feira (5) uma declaração conjunta em Brasília na qual defendem a aplicação da energia nuclear exclusivamente para fins pacíficos. O posicionamento foi apresentado durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado no Palácio do Itamaraty e integrado à VIII Reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação entre os dois países.
Energia e saúde no centro da agenda
No documento, os dois governos ressaltam o interesse em fortalecer a produção de radioisótopos destinados à medicina, ampliando a oferta desses insumos para o atendimento de demandas de saúde. Também foi mencionado o objetivo de desenvolver projetos conjuntos voltados à geração de eletricidade por fontes nucleares e ao aprimoramento do ciclo do combustível atômico, além da modernização da base jurídica que sustenta a colaboração bilateral no setor.
A publicação ocorre no mesmo dia em que expirou o tratado New Start, que limitava arsenais nucleares de Estados Unidos e Rússia. Embora o texto brasileiro-russo critique “medidas coercitivas unilaterais” incompatíveis com o direito internacional, não há menção direta a Washington.
Compromisso com o multilateralismo
Segundo nota do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a Mishustin a necessidade de fortalecer mecanismos de acompanhamento das iniciativas bilaterais para que produzam resultados concretos “à altura do porte das duas economias”. O comunicado conjunto reitera ainda a defesa do multilateralismo e da soberania dos Estados, observando que sanções extraterritoriais afetam direitos humanos e desenvolvimento sustentável.
Comércio agrícola e diversificação
Alckmin e Mishustin enfatizaram a relevância do intercâmbio comercial, hoje concentrado em produtos agropecuários e insumos. Em 2025, o fluxo bilateral somou US$ 11 bilhões, com saldo favorável à Rússia. O vice-presidente destacou que o Brasil figura entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do planeta, enquanto o país europeu é fornecedor estratégico de fertilizantes.
Para reduzir a dependência de itens primários, as autoridades apontaram oportunidades de expansão das exportações brasileiras de manufaturados e de parcerias em tecnologia, energia e saúde. Alckmin garantiu que o governo trabalha para oferecer previsibilidade regulatória e ambiente propício aos negócios, condição que considera essencial para atrair projetos de maior valor agregado.
Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci
Novas frentes de cooperação
Mishustin lembrou que mais da metade das importações latino-americanas de produtos russos tem como destino o mercado brasileiro, colocando o país entre os cinco principais parceiros comerciais da Rússia. Ele citou potenciais empreendimentos nas áreas química, petróleo e gás, energia atômica, indústria farmacêutica e exploração espacial.
Na esfera de saúde, o primeiro-ministro afirmou que já existem condições para a entrada de medicamentos inovadores russos contra câncer e diabetes no Brasil, iniciativa que incluirá transferência de tecnologia e colaboração com a agência reguladora brasileira. O premiê também sugeriu intensificar a troca de experiências em cibersegurança e inteligência artificial, observando que a chamada “soberania digital” é um tema crucial para os dois governos.
Ao final do encontro, representantes empresariais e autoridades assinalaram que a consolidação de projetos de longo prazo dependerá do diálogo contínuo entre companhias dos dois países e do acompanhamento das pastas responsáveis, de modo a garantir avanços nas diferentes frentes anunciadas.
Com informações de Agência Brasil
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