Brasil e Rússia reafirmam uso pacífico da energia nuclear e projetam novas parcerias

Robson Alves
4 Min Leitura

O vice-presidente Geraldo Alckmin e o primeiro-ministro russo, Mikhail Mishustin, divulgaram nesta quinta-feira (5) uma declaração conjunta em Brasília na qual defendem a aplicação da energia nuclear exclusivamente para fins pacíficos. O posicionamento foi apresentado durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado no Palácio do Itamaraty e integrado à VIII Reunião da Comissão de Alto Nível de Cooperação entre os dois países.

Energia e saúde no centro da agenda

No documento, os dois governos ressaltam o interesse em fortalecer a produção de radioisótopos destinados à medicina, ampliando a oferta desses insumos para o atendimento de demandas de saúde. Também foi mencionado o objetivo de desenvolver projetos conjuntos voltados à geração de eletricidade por fontes nucleares e ao aprimoramento do ciclo do combustível atômico, além da modernização da base jurídica que sustenta a colaboração bilateral no setor.

A publicação ocorre no mesmo dia em que expirou o tratado New Start, que limitava arsenais nucleares de Estados Unidos e Rússia. Embora o texto brasileiro-russo critique “medidas coercitivas unilaterais” incompatíveis com o direito internacional, não há menção direta a Washington.

Compromisso com o multilateralismo

Segundo nota do Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ressaltou a Mishustin a necessidade de fortalecer mecanismos de acompanhamento das iniciativas bilaterais para que produzam resultados concretos “à altura do porte das duas economias”. O comunicado conjunto reitera ainda a defesa do multilateralismo e da soberania dos Estados, observando que sanções extraterritoriais afetam direitos humanos e desenvolvimento sustentável.

Comércio agrícola e diversificação

Alckmin e Mishustin enfatizaram a relevância do intercâmbio comercial, hoje concentrado em produtos agropecuários e insumos. Em 2025, o fluxo bilateral somou US$ 11 bilhões, com saldo favorável à Rússia. O vice-presidente destacou que o Brasil figura entre os maiores produtores e exportadores de alimentos do planeta, enquanto o país europeu é fornecedor estratégico de fertilizantes.

Para reduzir a dependência de itens primários, as autoridades apontaram oportunidades de expansão das exportações brasileiras de manufaturados e de parcerias em tecnologia, energia e saúde. Alckmin garantiu que o governo trabalha para oferecer previsibilidade regulatória e ambiente propício aos negócios, condição que considera essencial para atrair projetos de maior valor agregado.

raf1865

Imagem: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agênci

Novas frentes de cooperação

Mishustin lembrou que mais da metade das importações latino-americanas de produtos russos tem como destino o mercado brasileiro, colocando o país entre os cinco principais parceiros comerciais da Rússia. Ele citou potenciais empreendimentos nas áreas química, petróleo e gás, energia atômica, indústria farmacêutica e exploração espacial.

Na esfera de saúde, o primeiro-ministro afirmou que já existem condições para a entrada de medicamentos inovadores russos contra câncer e diabetes no Brasil, iniciativa que incluirá transferência de tecnologia e colaboração com a agência reguladora brasileira. O premiê também sugeriu intensificar a troca de experiências em cibersegurança e inteligência artificial, observando que a chamada “soberania digital” é um tema crucial para os dois governos.

Ao final do encontro, representantes empresariais e autoridades assinalaram que a consolidação de projetos de longo prazo dependerá do diálogo contínuo entre companhias dos dois países e do acompanhamento das pastas responsáveis, de modo a garantir avanços nas diferentes frentes anunciadas.

Com informações de Agência Brasil

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.