Brasil busca reduzir tempo de voo entre Natal e Dakar para fortalecer turismo e comércio

Robson Alves
5 Min Leitura

O governo brasileiro articula reduzir o tempo de viagem entre o Brasil e Dakar, capital do Senegal, para estimular o comércio e o turismo entre os dois países e com outros vizinhos regionais. A informação foi repassada à Agência Brasil pela embaixadora do Brasil no Senegal, Daniella Xavier.

Atualmente não há voos diretos entre Brasil e Senegal. Em voos disponíveis, é comum a necessidade de conexões em cidades distantes, como Dubai, o que eleva substancialmente a duração do deslocamento.

Em linha reta, Natal (Rio Grande do Norte) está a 2,9 mil quilômetros de Dakar. Segundo a diplomata, a distância entre Natal e Lisboa é quase o dobro, enquanto para Dubai é quase quatro vezes maior, o que torna injustificável, na avaliação dela, a rota europeia para vencer esse percurso.

“Temos que continuar a trabalhar nesse sentido, pois não é lógico que tenhamos que ir à Europa para vencer menos de 3 mil km! Imaginem a redução dos tempos de voo e nos custos também em benefício dos demais países da África Ocidental, da América Latina e do Caribe”, afirmou Daniella Xavier.

A embaixadora participou do Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África, realizado na cidade na segunda (20) e na terça-feira (21), e disse ter se reunido com o ministro das Infraestruturas e dos Transportes do Senegal, Yankhoba Diémé, além da direção da companhia aérea estatal Air Senegal.

Conexões e codeshare

Daniella Xavier informou que busca fomentar acordos entre empresas aéreas brasileiras — todas privadas — e a Air Senegal ou companhias de países africanos como Marrocos, Etiópia e Turquia, para operacionalizar cooperações do tipo codeshare, em que uma empresa vende passagens para voos operados por outra.

Laços históricos e diplomáticos

A embaixadora ressaltou o vínculo histórico entre Brasil e Senegal, vinculado à herança do tráfico de pessoas escravizadas. A Ilha de Gorée, no Senegal, é citada como ponto simbólico desse passado. A embaixada brasileira em Dakar foi aberta em 1961; a reciprocidade ocorreu em 1963. A representação do Senegal em Brasília é a única do país africano na América do Sul.

Relação comercial

Em 2025, o comércio bilateral alcançou US$ 386,1 milhões, com saldo de US$ 370,8 milhões favorável ao Brasil, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços. A embaixadora avaliou que o Senegal poderia aumentar exportações ao Brasil, citando possibilidades como amendoim e derivados das flores do nenúfar, tecidos e produtos artesanais.

Em 2025, uma missão brasileira levou 50 empresários ao Senegal, e Daniella Xavier trabalha para ampliar investimentos. Em outubro do ano passado, foi anunciado pela empresa brasileira West Aves, em parceria com parceiros locais, o projeto da primeira indústria de genética agrícola do Senegal, com produção prevista de 30 milhões de ovos e 400 mil aves reprodutoras. O investimento inicial será de US$ 20 milhões, com estimativa de 300 empregos diretos e 1 mil indiretos e transferência de tecnologia.

Cooperação política e segurança

A diplomata destacou a convergência de posições multilaterais entre Brasil e Senegal e a necessidade de ampliar coordenação política diante de um cenário internacional conturbado, incluindo pleitos por reformas em organismos internacionais como o Conselho de Segurança da ONU.

Também no Fórum, a embaixadora do Senegal no Brasil, Marie Gnama Bassene, afirmou que seu país desempenha papel relevante na construção da confiança, cooperação e prevenção de conflitos no continente. O Senegal presidirá a Comissão da CEDEAO de 2026 a 2030 e integra a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (ZOPACAS).

O Fórum Internacional de Dacar sobre a Paz e Segurança na África contou com participação de chefes de Estado, ministros e diplomatas de 38 países, sendo 18 africanos. O ministro da Integração Africana, dos Negócios Estrangeiros e dos Senegaleses no Exterior, Cheikh Niang, afirmou que a participação do Brasil nas discussões é útil para o trabalho realizado no continente.

Mais informações sobre o fórum estão disponíveis em https://dakarinternationalforum.org/.

Compartilhe essa Notícia
Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.