Desfilar no carnaval carioca também pode ser um ato de cidadania. Em 2026, quatro blocos formados por usuários da Rede de Atenção Psicossocial, familiares, trabalhadores da saúde e moradores de diferentes bairros ocupam as vias da cidade para demonstrar que diversão e cuidado caminham juntos. A Secretaria Municipal de Saúde (SMS-Rio) ressalta que as agremiações reforçam o direito à cultura de quem vive situações de sofrimento psíquico e ajudam a combater preconceitos.
Segundo o superintendente de Saúde Mental da pasta, Hugo Fernandes, “os blocos de saúde mental são espaços de expressão, pertencimento e cidadania fundamentais para o cuidado em liberdade”. Fora do período carnavalesco, eles mantêm oficinas de música, percussão, fantasias e artesanato, fortalecendo vínculos e estimulando a criatividade dos participantes.
Zona Mental
Fundado em 2015 na Zona Oeste, o Zona Mental reúne cerca de 15 serviços de saúde da região e realizará seu cortejo em 6 de fevereiro. A concentração começa às 16h na Praça Guilherme da Silveira, em Bangu. Copresidido pela musicoterapeuta Débora Rezende e pela artista Rogéria Barbosa, o grupo contará com músicos das escolas Unidos de Bangu e Mocidade Independente de Padre Miguel. O samba-enredo vencedor, composto pelo usuário Marco Antonio Amaral, presta homenagem ao multi-instrumentista alagoano Hermeto Pascoal e aos nordestinos que vivem na Zona Oeste.
Tá Pirando, Pirado, Pirou!
Com 21 anos de estrada, o bloco da Urca festeja, em 2026, os 25 anos da Lei 10.216/2001, marco da reforma psiquiátrica brasileira. O desfile será em 8 de fevereiro, a partir das 15h, na Avenida Pasteur, em frente à Unirio. O tema recorda o psiquiatra italiano Franco Basaglia, cuja visita ao país em 1979 inspirou a luta antimanicomial. A bateria da Portela comanda o ritmo, acompanhada pelos blocos convidados Céu da Terra e Vem Cá Minha Flor.
Império Colonial
Pequeno no tamanho – são cerca de 20 integrantes – o Império Colonial promete crescer na rua. A concentração ocorrerá em 10 de fevereiro, às 14h30, na Praça Nossa Senhora de Fátima, em Jacarepaguá. Criado em 2009 a partir de ações culturais do Museu Bispo do Rosário, o bloco leva para a avenida um enredo dedicado ao artista sergipano Arthur Bispo do Rosário. Pela primeira vez, desfilará com alas próprias; o tema foi desenvolvido pelo usuário Alex de Repix. Depois de promover apenas um baile indoor em 2025, a expectativa agora é dobrar o público de 200 pessoas alcançado no ano passado.
Imagem: Loucura Suburbana/ Pâmela Perez
Loucura Suburbana
Mais antigo do grupo, o Loucura Suburbana nasceu em 2001 no Engenho de Dentro e espera reunir mais de 3 mil foliões em 12 de fevereiro. O samba escolhido, “Para o povo poder cantar”, embala o enredo “Baluartes, Território e Loucura”. De acordo com a coordenadora-geral, a psicóloga Ariadne Mendes, o tema lembra ex-integrantes que ajudaram a construir a história do bloco, valoriza o vínculo com a comunidade e celebra a importância do grupo para a autoestima dos participantes. Quem comparecer ao barracão pode reservar fantasia antecipadamente e devolvê-la após o desfile; no dia, haverá maquiagem carnavalesca gratuita.
A SMS-Rio reforça que todas as iniciativas partem do princípio “por uma sociedade sem manicômios”, lema originado no Manifesto de Bauru (1987) que impulsionou a aprovação da Lei 10.216. Ao levar música, arte e convivência para o espaço público, os blocos mostram que brincar o carnaval também é afirmar direitos e reconhecer a diversidade.
Com informações de Agência Brasil
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