Artesanato de barro de Santana do SF ganha selo nacional do INPI

Claudio Vasconcelos
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Foco SE

Reconhecimento histórico valoriza cultura sergipana. O município recebeu a Indicação Geográfica oficial, colocando o barro local no mapa da propriedade industrial brasileira.

O município de Santana do São Francisco viveu um momento histórico na última terça-feira, 02/06, com a cerimônia de entrega do selo de Indicação Geográfica (IG) para o artesanato de barro local. O evento ocorreu no Centro Comercial de Artesanato e reuniu artesãos, representantes de instituições parceiras e autoridades para celebrar essa conquista, reconhecida oficialmente pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

A Indicação Geográfica foi publicada na Revista da Propriedade Industrial (RPI) e reconhece a notoriedade e a identidade do artesanato de barro produzido na cidade. Essa tradição, que é passada de geração em geração, faz parte da história e da cultura da região do Baixo São Francisco.

“Como filho de artesão, vejo esse reconhecimento como uma conquista coletiva de homens e mulheres que dedicaram suas vidas ao barro e transformaram essa tradição em patrimônio cultural de Santana do São Francisco. A Indicação Geográfica fortalece nossa identidade, valoriza o trabalho dos artesãos e abre novas oportunidades para toda a comunidade,” afirmou Douglas Moura, presidente da Associação dos Artesãos de Barro de Santana do São Francisco.

A solenidade contou com a presença da Cooperativa dos Artesãos de Santana do São Francisco, da Prefeitura Municipal, do INPI, da Secretaria de Estado do Trabalho, Emprego e Empreendedorismo (SETEEM) e do Sebrae Sergipe, instituições que colaboraram durante o processo de reconhecimento.

Com essa certificação, o artesanato de barro de Santana do São Francisco se junta ao grupo de produtos brasileiros protegidos por Indicação Geográfica. Este instrumento de propriedade intelectual identifica produtos cuja reputação, qualidade ou características estão ligadas ao seu território de origem.

A conquista é um diferencial competitivo para os artesãos locais, agregando valor aos produtos e ampliando as oportunidades de mercado, além de fortalecer a identidade cultural do município.

“Essa conquista agrega valor ao artesanato, fortalece a identidade cultural da região, amplia oportunidades de mercado e ajuda a impulsionar o turismo e a economia local. Além disso, protege e preserva um patrimônio cultural que faz parte da história do povo sergipano,” destacou Lourdes Alves, pesquisadora em Propriedade Industrial do INPI.

Daiane Santana, coordenadora do Artesanato da SETEEM, ressaltou o impacto da IG para o fortalecimento do setor artesanal sergipano e para a geração de oportunidades econômicas na região.

“A entrega oficial do selo de Indicação Geográfica consolida o reconhecimento da identidade, da originalidade e do conhecimento tradicional dos ceramistas de Santana do São Francisco. O artesanato local ganha ainda mais visibilidade, levando para o Brasil e para o mundo um trabalho que representa a cultura sergipana,” afirmou.

A analista da Unidade de Inovação do Sebrae Sergipe, Ângela Souza, também celebrou a conquista, destacando seu significado para o fortalecimento do artesanato e da economia local.

“O reconhecimento da Indicação Geográfica é motivo de orgulho e evidencia o grande potencial e o valor do artesanato de Santana do São Francisco. Os artesãos estão de parabéns pelo trabalho desenvolvido ao longo de muitos anos,” ressaltou.

O processo para a obtenção da Indicação Geográfica contou com o apoio técnico do Sebrae Sergipe. Em 2024, foi realizado um diagnóstico que identificou o potencial do território para obtenção do registro. Desde então, ações como a elaboração do dossiê técnico e a criação do signo distintivo da IG foram desenvolvidas.

Em 2025, a documentação foi analisada pelo INPI, passando por etapas de complementação até a concessão oficial do reconhecimento, publicada em 2026.

A IG do artesanato de barro de Santana do São Francisco é a 153ª Indicação Geográfica brasileira reconhecida pelo INPI, a 19ª relacionada ao artesanato e a segunda de Sergipe, sendo a primeira a da Renda Irlandesa de Divina Pastora, concedida em 2012.

A produção artesanal em barro tem raízes profundas na identidade de Santana do São Francisco desde o período colonial. Utilizando a argila do rio São Francisco, gerações de artesãos desenvolveram técnicas que dão vida a utensílios, peças decorativas e objetos religiosos.

Com a entrega oficial do selo, os artesãos celebram não apenas um reconhecimento institucional, mas a valorização de uma história construída por aqueles que mantêm viva uma das mais importantes expressões da cultura popular sergipana.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.