Anvisa libera cultivo empresarial de cannabis e expande acesso a medicamentos no Brasil

Claudio Vasconcelos
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Quarta-feira, 28, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou uma nova resolução que permite o cultivo de cannabis por pessoas jurídicas e a venda de canabidiol em farmácias de manipulação em todo o território nacional.

Pelo texto, empresas com autorização sanitária poderão plantar a matéria-prima em território brasileiro exclusivamente para a produção de medicamentos e demais itens já aprovados pelo órgão regulador. A quantidade cultivada deverá ser compatível com a demanda declarada à Anvisa, que continuará responsável por acompanhar o volume produzido.

Novas regras para produção e comércio

Além do plantio controlado, a resolução autoriza:

  • Comercialização de formulações de uso bucal, sublingual e dermatológico;
  • Importação da planta ou de seus extratos para fins de fabricação local;
  • Limite máximo de 0,3% de Tetrahidrocanabinol (THC) em todos os lotes, importados ou nacionais, destinados a pacientes com doenças crônicas ou debilitantes.

Para garantir a fiscalização, a agência planeja criar um comitê interministerial que reunirá representantes dos Ministérios da Justiça, da Saúde e da Agricultura e Pecuária. O grupo deverá coordenar ações permanentes de controle e segurança em todas as etapas da cadeia produtiva.

A medida atende determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que no fim do ano passado solicitou a regulamentação do uso medicinal da cannabis.

Reação de entidades e associações

Organizações que defendem o acesso a terapias à base de cannabis receberam a decisão com otimismo. O advogado Emilio Figueiredo, que participou da criação da primeira associação brasileira dedicada ao tema, classificou a abertura da Anvisa ao diálogo como “surpreendente”. Segundo ele, o processo regulatório inédito contribui para maior clareza sobre as opções de tratamento.

Representante da Federação das Associações de Cannabis Terapêutica (Fact), Jair Pereira Barbosa Júnior destacou, durante a reunião da diretoria, que a regulamentação reduz a insegurança jurídica enfrentada por pacientes e entidades.

Imagem: TV Brasil

Cenário do mercado nacional

Apesar dos obstáculos históricos, o anuário 2025 da consultoria Kaya Mind aponta 873 mil brasileiros em tratamento com produtos à base de cannabis, número recorde depois de sucessivas altas anuais. Atualmente, 315 associações fornecem medicamentos; 47 delas possuem autorização judicial para cultivar, somando 27 hectares plantados.

O faturamento anual do setor atingiu R$ 971 milhões em 2025, expansão de 8,4% sobre o ano anterior. A prescrição por profissionais de saúde também cresce: há cerca de 2,7 médicos que indicam terapias canábicas para cada 10 mil pacientes, o que representa entre 5,9 mil e 15,1 mil prescritores por mês. Entre dentistas, a adesão ainda é tímida, com apenas 0,2% indicando esses produtos.

Desde 2015, governos estaduais e municipais já destinaram R$ 377,7 milhões ao fornecimento público de derivados de cannabis. Cinco estados seguem sem legislação específica, mas 85% dos municípios brasileiros registraram ao menos um paciente em tratamento desde 2019. No âmbito regulatório, 68 empresas protocolaram 210 pedidos de Autorização Sanitária pela Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 327/19 desde 2020; 24 solicitações foram aprovadas.

Com a nova resolução em vigor, o setor espera reduzir custos de importação, ampliar a oferta de produtos e consolidar o Brasil como um dos principais mercados emergentes de cannabis medicinal.

Com informações de Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.