ANS determina cobertura obrigatória de dois novos medicamentos para lúpus em planos de saúde

Claudio Vasconcelos
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A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou, nesta semana, a inclusão dos medicamentos anifrolumabe e belimumabe no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde. A decisão torna obrigatória a cobertura desses fármacos pelos planos de saúde a partir de 3 de novembro para pacientes adultos com lúpus eritematoso sistêmico que apresentam atividade frequente da doença, mesmo após terapia padrão.

De acordo com a agência, cerca de 2 mil beneficiários devem ser contemplados. É a primeira vez que medicamentos destinados exclusivamente ao tratamento de lúpus entram no rol. Em 2024, o belimumabe já havia sido incorporado, mas apenas para casos de nefrite lúpica, complicação renal associada à enfermidade.

“Se existem no país opções que controlam a doença e garantem melhor qualidade de vida ao paciente, elas precisam estar disponíveis ao consumidor”, afirmou, em nota, o diretor-presidente da ANS, Wadih Damous.

Reumatologistas comemoram inclusão

A Sociedade Brasileira de Reumatologia (SBR), que participou das consultas públicas sobre o tema, celebrou a medida. Durante o Congresso Brasileiro de Reumatologia, em Salvador, o coordenador da comissão científica de lúpus da entidade, Odirlei Andre Monticielo, destacou que as duas drogas possuem evidências de redução da atividade da doença e de diminuição no uso prolongado de glicocorticoides.

Para o presidente da SBR, José Eduardo Martinez, a decisão “representa uma grande conquista” para uma enfermidade que “há muito tempo carecia de novos tratamentos”. A entidade pretende abrir diálogo com o Ministério da Saúde e a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) para ampliar o acesso também na rede pública.

Impacto na vida dos pacientes

A artesã Regiane Araújo Pacheco, de 40 anos, moradora de Salvador, participa de protocolo de pesquisa com belimumabe desde 2016. Diagnosticada com lúpus em 2009 após anos de dores e inflamações, ela relata que o medicamento foi “divisor de águas” na melhora da qualidade de vida — remédio que, até agora, não está disponível pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

O que é o lúpus

O lúpus é uma doença autoimune, crônica e sem cura, que provoca inflamações capazes de danificar tecidos e órgãos. Afeta principalmente mulheres entre 20 e 45 anos e tem maior incidência em pessoas negras e em regiões de forte exposição solar. Os sintomas mais comuns incluem dores, inchaço nas articulações, manchas avermelhadas na face e reações cutâneas após exposição ao sol.

A SBR estima que entre 150 mil e 300 mil brasileiros convivam com a doença.

Fonte: Agência Brasil

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.