O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, embaixador Celso Amorim, declarou nesta quarta-feira, 20 de agosto, que os Estados Unidos não demonstram disposição para negociar as tarifas adicionais aplicadas a produtos brasileiros. A declaração foi dada durante audiência pública da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, em Brasília.
“Eles não têm desejo de negociar”, resumiu Amorim aos parlamentares. Segundo o diplomata, ao elevar tarifas de importação para mais de uma centena de países, Washington coloca em risco o sistema multilateral de comércio construído após a Segunda Guerra Mundial.
Multilateralismo sob pressão
Amorim citou o Acordo Geral de Tarifas e Comércio (Gatt) e a Organização Mundial do Comércio (OMC) como pilares das regras globais. “Quando um país muito forte impõe tarifas unilateralmente, desnorteia todo o comércio”, advertiu, reforçando a necessidade de proteção ao arcabouço multilateral.
Brasil em situação singular
Para o embaixador, o caso brasileiro se diferencia porque os Estados Unidos teriam misturado temas políticos à decisão comercial. Ele mencionou a Ordem Executiva de 30 de julho, que vinculou o aumento das tarifas ao fato de o ex-presidente Jair Bolsonaro responder a processos no Supremo Tribunal Federal (STF). “Que eu saiba, somos o único país em que isso ocorreu abertamente”, observou.
Amorim lembrou ainda que o ex-presidente Donald Trump divulgou publicamente uma carta crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes de o documento chegar ao destinatário. “Em mais de 60 anos de carreira diplomática, nunca vi nível semelhante de desrespeito”, afirmou.
Imagem: Internet
Busca por diálogo
O assessor ressaltou que o governo brasileiro não pretende romper relações com Washington e segue disposto ao diálogo. Segundo ele, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou a agendar uma conversa telefônica com o secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, mas o contato foi cancelado “por interferência externa”.
“Não tomamos nenhuma ação hostil; sempre procuramos negociar”, concluiu Amorim, acrescentando que a administração brasileira continuará defendendo o sistema comercial multilateral e buscando solução para as disputas tarifárias.
Com informações de Agência Brasil
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