Especialistas cobram regras para IA e redes antes das eleições

Claudio Vasconcelos
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Em webinário, pesquisadoras alertaram que algoritmos influenciam o debate público e a circulação de informações. Elas defendem fiscalização maior sobre conteúdos criados por inteligência artificial.

Pesquisadoras defenderam que o Brasil deve ampliar a regulação de plataformas digitais e intensificar a fiscalização sobre o compartilhamento de conteúdos produzidos com Inteligência Artificial. O tema foi tratado durante o webinário Tecnologias, IA e Eleições, promovido pela Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras nesta terça-feira (15).

Na atividade, Fernanda Rodrigues chamou atenção para o funcionamento dos algoritmos de recomendação, apontando que esses mecanismos influenciam quais conteúdos são apresentados aos usuários e, por consequência, moldam a circulação de informações na internet.

“É preciso uma regulação mínima que assegure que as pessoas possam optar por não receber conteúdos padronizados e que assegure que os mecanismos de recomendação não tenham vieses discriminatórios”, disse.

As pesquisadoras também discutiram a forma como a Inteligência Artificial vem sendo desenvolvida e aplicada. Segundo elas, o avanço dessa tecnologia não tem sido pautado pelas demandas da sociedade e o debate tende a ser dominado por grandes empresas de tecnologia, o que exige maior participação pública e mecanismos de controle.

Em comparação com outros países, foi avaliado que o Brasil dispõe de um arcabouço regulatório de IA relativamente bom, mas que isso não dispensa um aumento na fiscalização e, sobretudo, investimentos em educação midiática para que a população reconheça e compreenda conteúdos gerados por IA.

“As pessoas não conseguem entender a diferença entre uma pessoa real e uma pessoa criada pela IA. É preciso educar a população”, disse.

Ao relacionar o tema da desinformação com eventos políticos, foi citada a circulação de imagens e notícias distorcidas no processo que levou ao impeachment da então presidenta Dilma Rousseff, ocorrido em 2016. As pesquisadoras afirmaram que, com as ferramentas atuais de IA, o potencial de manipulação e de violência política — inclusive por gênero e raça — tende a aumentar, por meio de deepfakes e conteúdos fabricados.

“A gente viu isso com a presidenta Dilma. As imagens distorcidas, as notícias distorcidas, até chegar ao golpe”, disse.

O debate destacou ainda a necessidade de combinar regulação, fiscalização e políticas públicas de educação digital para reduzir vieses discriminatórios nos sistemas de recomendação e para proteger deliberadamente o espaço público durante períodos eleitorais. As pesquisadoras recomendaram maior transparência sobre como plataformas selecionam e distribuem conteúdo, sem apresentar propostas legislativas específicas durante o evento.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.