Fábio Henrique diz que saúde mental não pode ser pauta só em setembro

Rafael Ramos
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Foto: Ascom/Fábio Henrique

Candidato a deputado estadual diz que vai destinar emendas parlamentares para leitos de retaguarda e afirma que não defende a volta de manicômios

Para o candidato a deputado estadual Fábio Henrique (MDB), a saúde mental não pode ser uma pauta que aparece apenas durante o Setembro Amarelo. Ele defende a ampliação de leitos de retaguarda no estado.

Para o candidato, o transtorno mental é hoje um dos principais problemas de saúde enfrentados pela população, e o tema costuma ganhar espaço no debate público apenas em setembro, quando acontece a campanha do Setembro Amarelo.

“O transtorno mental é hoje o grande mal silencioso da nossa sociedade. Muito trabalho vem sendo feito e ainda precisamos do suporte que venho reforçando em campanha para as crises mais graves de saúde nesse sentido”, afirmou.

Acesso desigual ao tratamento

Ele destacou que ansiedade e depressão atingem pessoas de todas as classes sociais, mas que o acesso ao tratamento é desigual. Segundo o candidato, consultas e sessões particulares não saem por menos de R$ 200 a R$ 300, o que deixa quem depende do serviço público em situação de espera.

“A ansiedade e a depressão são duas situações que chegam nas vidas de tantos sem um motivo definido. O pior é que também não escolhem classe social, mas o tratamento, assim como o dos demais transtornos, ainda escolhe”, disse.

A proposta: leitos de retaguarda

O que ele defende, segundo explicou, é o fortalecimento de uma política já existente: a criação e a ampliação de leitos de saúde mental dentro de hospitais gerais, com equipes multidisciplinares, para estabilizar pacientes em crise grave e depois encaminhá-los ao acompanhamento contínuo nos Centros de Atenção Psicossocial.

“Não são prisões. São vagas de retaguarda, com médicos e equipes multidisciplinares para estabilizar quem está em crise grave e, depois, devolver a pessoa que precisou para o cuidado contínuo nos CAPS, perto de casa e de quem se ama”, explicou.

De acordo com o candidato, Sergipe conta com 44 CAPS distribuídos pelo estado, o que ele classificou como uma conquista a ser reconhecida. O problema, na avaliação dele, aparece quando a crise é grave demais para ser resolvida apenas no CAPS — e, nesse ponto, afirma que apenas o Hospital São José dispõe de uma porta maior de urgência psiquiátrica para todo o estado.

“Não defendo manicômio”

Fábio Henrique fez questão de delimitar sua proposta e afirmou que não defende o retorno do modelo manicomial, citando a Lei nº 10.216, de 2001, que redirecionou a assistência em saúde mental no país e é conhecida como Lei da Reforma Psiquiátrica.

“Quero deixar uma coisa bem clara: nunca defendi e nem vou defender aqui trazer de volta manicômio nenhum. Muito pelo contrário. O Brasil lutou por décadas para acabar com esse modelo desumano de pessoas trancadas, esquecidas e isoladas da própria família”, afirmou.

O compromisso apresentado é destinar emendas parlamentares e fazer articulação política, caso eleito para a Assembleia Legislativa, para ampliar os leitos de retaguarda com estrutura hospitalar, fortalecer a rede dos CAPS e organizar o atendimento estadual.

“Essa é uma questão de dignidade da qual nunca abrirei mão. Cuidar de quem sofre em silêncio é dever nosso. E, com o pé no chão, sem prometer milagres, vamos elevar a saúde mental à prioridade que ela precisa alcançar em todo o Sergipe”, concluiu.

Precisa de ajuda?

Se você está passando por sofrimento emocional ou pensa em tirar a própria vida, procure ajuda. O atendimento é gratuito e sigiloso.

  • CVV — Centro de Valorização da Vida: ligue 188, 24 horas por dia, ou acesse cvv.org.br
  • CAPS: os Centros de Atenção Psicossocial atendem pelo SUS em todo o estado; procure a unidade mais próxima
  • Emergência: SAMU 192 ou a unidade de urgência mais próxima

Por Leandro Pereira Gomes / Ascom

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.