Pedido contra Mendonça sai da relatoria de Moraes e vai à Presidência

Rafael Ramos
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Alexandre de Moraes e André Mendonça — Foto: Reprodução

Mendonça e a Procuradoria-Geral da República têm cinco dias úteis para apresentar manifestações

O pedido de investigação contra o ministro André Mendonça saiu da relatoria de Alexandre de Moraes e passou a tramitar na Presidência do Supremo Tribunal Federal.

Moraes, Fachin e Mendonça
Moraes, Fachin e Mendonça — Foto: Reprodução

O que muda na prática

Até esta sexta-feira, o pedido apresentado por Alexandre de Moraes contra André Mendonça tramitava dentro do Inquérito 4.781 — o chamado inquérito das fake news, aberto em 2019 e relatado pelo próprio Moraes. Com a decisão de Fachin, a petição deixa de correr sob a relatoria dele e ganha andamento formal na Presidência do Supremo.

O presidente da Corte também passou a conduzir o caminho inverso: o pedido em que Mendonça solicita a investigação e o afastamento cautelar de Moraes. Os dois processos, agora, estão sob o mesmo comando.

Fachin estipulou prazo de cinco dias úteis para que Mendonça e a Procuradoria-Geral da República apresentem manifestações oficiais.

Plenário deve ficar para depois das eleições

Segundo apurado pela imprensa nacional, Fachin avalia deixar para depois do segundo turno das eleições a análise em plenário dos pedidos de abertura de investigação contra os dois ministros. A intenção seria evitar que a tensão institucional contamine ainda mais o processo eleitoral em curso.

Alcolumbre como “alvo estratégico”

Um dos trechos mais sensíveis do relatório de inteligência da Polícia Federal usado por Moraes trata do presidente do Senado. O documento classifica Davi Alcolumbre como possível “alvo estratégico” de Mendonça.

Segundo o relatório, o objetivo seria “neutralizar o poder do senador sobre a pauta do Senado, especialmente no que diz respeito ao processamento de pedidos de impeachment contra ministros do STF”. O texto aponta ainda que Mendonça veria no dirigente partidário Antonio Rueda uma “rota de acesso” para se aproximar de Alcolumbre.

O documento menciona como pano de fundo a força política do senador e as divergências entre os dois desde a indicação de Mendonça ao Supremo, quando Alcolumbre foi um dos principais obstáculos à aprovação do nome dele.

109 pedidos de impeachment

No Senado, Alcolumbre reconheceu a existência de 109 pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal — número que ele próprio classificou como fora do padrão. A pressão de senadores para que os pedidos sejam pautados aumentou nos últimos dias, e um parlamentar chegou a apresentar representação contra Alcolumbre no Conselho de Ética após um ultimato público não atendido.

A reunião que antecedeu tudo

Um encontro de cerca de três horas entre Alexandre de Moraes e Davi Alcolumbre, na véspera da ofensiva contra Mendonça, passou a ser citado na cobertura do caso. Há versões diferentes sobre o local: em análise na GloboNews, afirmou-se que a reunião ocorreu na residência do ministro Alexandre de Moraes; já o portal Brasil 247 situa o encontro na casa do senador, no Lago Sul, em Brasília. Nenhuma das duas versões foi confirmada oficialmente pelo STF ou pelo Senado.

Segundo os relatos, ao chegar à sessão do Senado depois do encontro, Alcolumbre teria dito que tomaria “as minhas providências na hora certa”.

Como se chegou até aqui

Em 1º de setembro, André Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e a Alexandre de Moraes, reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo. Em 3 de setembro, Moraes revidou, apontando indícios de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade por parte de Mendonça, com base em um relatório de inteligência da PF de 50 páginas. Na mesma noite, Mendonça pediu a Fachin o afastamento cautelar de Moraes, apresentando 52 mensagens.

Nenhum dos dois ministros se manifestou publicamente sobre as acusações do outro até a publicação desta reportagem.

Nota da Redação

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.