O balanço do primeiro semestre de 2026 do CRAM de Aracaju revela crescimento nos atendimentos, mas expõe dois desafios críticos: evasão e reincidência na violência.
O Centro de Referência de Atendimento à Mulher (CRAM), equipamento da Secretaria Municipal do Respeito às Políticas para as Mulheres (SerMulher), divulgou o balanço das atividades desenvolvidas no primeiro semestre de 2026. Os dados evidenciam o alcance dos serviços especializados oferecidos às mulheres em situação de violência em Aracaju, mas também expõem fragilidades que desafiam a efetividade da política pública de proteção.
Entre janeiro e junho, o CRAM registrou crescimento na demanda pelos serviços, com maior número de encaminhamentos nos meses de março, abril e maio. Também em maio foi registrada a maior procura pelos atendimentos especializados ofertados pela unidade. Ao longo do semestre, foram realizados atendimentos psicológicos, socioassistenciais e jurídicos, além de ações de busca ativa e rodas terapêuticas. O trabalho é desenvolvido por uma equipe multidisciplinar com o objetivo de acolher as mulheres, fortalecer sua autonomia e oferecer suporte para a reconstrução de suas trajetórias de vida.
O levantamento, porém, chama atenção para um dos principais desafios enfrentados pela política de enfrentamento à violência contra a mulher: a permanência das usuárias no acompanhamento especializado. Em diversos meses do semestre, aproximadamente metade das mulheres encaminhadas ao CRAM não compareceu aos atendimentos ou interrompeu o acompanhamento oferecido pela equipe técnica — um índice que preocupa gestores e profissionais da área.
Igualmente alarmante é o índice de reincidência. Em média, cerca de 50% das mulheres atendidas mensalmente permanecem inseridas no ciclo de violência, evidenciando a complexidade do problema e a necessidade urgente de fortalecer ações preventivas, ampliar a rede de proteção e garantir um acompanhamento contínuo e articulado entre os serviços municipais.
Na área da saúde mental, os atendimentos psicológicos registraram maior demanda nos meses de março, maio e junho, reforçando a importância do suporte emocional como parte fundamental do processo de superação da violência. Já os atendimentos socioassistenciais apresentaram maior volume em janeiro, abril e maio, enquanto as orientações jurídicas acompanharam os períodos de maior incidência de casos, concentrando-se entre março e maio.
Outro destaque do semestre foi a estratégia de busca ativa, realizada pelas equipes do CRAM para localizar mulheres encaminhadas e facilitar o acesso aos serviços especializados. O maior número de ações ocorreu entre fevereiro e maio, fortalecendo o vínculo entre a unidade e as usuárias e demonstrando o esforço institucional para minimizar os índices de evasão no acompanhamento.
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