Bolsa dispara 3% com inflação menor e dólar cai ao menor nível do ano

Robson Alves
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O mercado brasileiro fechou a sexta em alta com o IPCA de junho abaixo do esperado. A reação foi imediata: bolsa no topo desde maio e dólar a R$ 5,10, animando investidores.

O mercado financeiro brasileiro encerrou a sexta-feira, 10 de julho, em um clima positivo, beneficiado pela queda da inflação e pela situação externa. A bolsa subiu quase 3%, atingindo seu maior nível desde maio deste ano. O dólar, por sua vez, caiu pela terceira sessão consecutiva, fechando na faixa de R$ 5,10.

O principal impulsionador da valorização dos ativos brasileiros foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) referente a junho. O índice mostrou uma inflação abaixo do esperado, o que reforçou as especulações sobre possíveis cortes na taxa Selic, os juros básicos da economia.

“O resultado do IPCA fortaleceu as expectativas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) possa voltar a reduzir a taxa Selic na reunião de agosto,”

informou um analista do mercado. A inflação oficial desacelerou para 0,16%, após uma alta de 0,58% em maio, ficando abaixo das projeções do mercado. No acumulado de 12 meses, o índice ficou em 4,64%.

O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou com uma alta de 2,97%, atingindo 177.866,37 pontos, e registrou o maior fechamento desde 14 de maio. O índice completou a terceira semana consecutiva de valorização, acumulando um ganho de 2,18% na semana, 3,40% em julho e alta de 10,39% no ano. O volume financeiro negociado somou R$ 24,99 bilhões, e apenas um dos 79 papéis que compõem o índice fechou em queda.

Além disso, o dólar à vista caiu R$ 0,014, resultando em uma desvalorização de 0,31%, encerrando o dia cotado a R$ 5,108. Esse foi o menor valor de fechamento desde 16 de junho. O dólar acumulou uma desvalorização de 1,18% na semana, 1,06% em julho e 6,94% no acumulado de 2026.

A queda do dólar também se deve à valorização das moedas de outros países emergentes, em um ambiente onde os investidores demonstraram maior disposição para ativos de risco, mesmo diante das tensões geopolíticas no Oriente Médio.

Os preços internacionais do petróleo, por sua vez, fecharam em queda pelo segundo pregão consecutivo, com o barril do tipo Brent recuando 0,38%, cotado a US$ 76,01. Apesar disso, o produto acumulou uma valorização de 5,39% na semana. O mercado continua a monitorar a situação no Estreito de Ormuz, onde cerca de 20% do petróleo comercializado globalmente transita.

Os investidores também seguem atentos às negociações entre Estados Unidos e Irã, que influenciam as expectativas sobre os preços da commodity nas próximas semanas.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.