O setor movimentou bilhões e garantiu renda a milhões de brasileiros em 2024. Dados do IBGE revelam remuneração média de 2,1 salários mínimos no segmento.
A indústria da construção civil no Brasil, em 2024, empregou aproximadamente 2,5 milhões de pessoas e ofereceu uma remuneração média de 2,1 salários mínimos. No total, 191 mil empresas do setor injetaram R$ 95,6 bilhões na economia, beneficiando os trabalhadores.
Esses dados foram revelados pela Pesquisa Anual da Indústria da Construção, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no dia 10 de junho de 2026.
A pesquisa abrange três grandes grupos de atividades: a construção de edifícios, que inclui tanto residenciais quanto comerciais e reformas; as obras de infraestrutura, como pontes e rodovias; e os serviços especializados, que envolvem pintura e instalação elétrica.
Na edição de 2024, o levantamento adotou uma nova metodologia, impedindo comparações diretas com anos anteriores, já que a série histórica anterior se iniciou em 2007.
O estudo apontou que as empresas do grupo de construção de edifícios são as que mais empregam, com um total de 894,8 mil pessoas, representando 35,7% dos trabalhadores do setor. Logo em seguida, estão as firmas de serviços especializados, que empregam 34,4% da mão de obra, e as obras de infraestrutura, com 29,9% dos trabalhadores.
Embora as obras de infraestrutura tenham o menor número de empregados, elas apresentam a maior média de funcionários por empresa, totalizando cerca de 39 pessoas. Em contrapartida, os empreendimentos de construção de edifícios têm uma média de 13 trabalhadores, enquanto os serviços especializados contam com apenas oito.
Em termos salariais, as empresas que atuam em obras de infraestrutura oferecem as maiores remunerações, com uma média de 2,6 salários mínimos. Em comparação, as empresas de construção de edifícios pagam 1,9 salário mínimo, e as de serviços especializados, 1,8. Em 2024, o salário mínimo nacional foi estabelecido em R$ 1.412.
A pesquisa também avaliou o valor total das incorporações, obras e serviços de construção, que atingiu R$ 522,5 bilhões em 2024. A distribuição desse valor por segmento é a seguinte:
Infraestrutura: R$ 200,9 bilhões;
Construção de edifícios: R$ 198,9 bilhões;
Serviços especializados: R$ 122,8 bilhões.
Além disso, o estudo revelou que o grau de concentração das oito principais empresas do setor, medido pelo indicador RC8, ficou em 3,1%, demonstrando que a indústria é pouco concentrada e não apresenta monopólios.
O levantamento também destacou os principais empreendimentos entregues, classificados pelo valor de obra, que são:
Rodovias, ferrovias e obras urbanas: 22,8%;
Obras residenciais: 22,2%;
Serviços especializados: 19,2%;
Infraestruturas para energia elétrica e telecomunicações: 12,8%;
Edificações industriais e comerciais: 10,7%;
Construção de outras obras de infraestrutura: 10,5%;
Incorporação de imóveis: 1,9%.
Sobre os custos, a pesquisa revelou que a mão de obra representa 30,7% do orçamento das empresas. Em seguida, as despesas operacionais, que incluem combustíveis e manutenção, correspondem a 22,5%.
Os materiais de construção ocupam 22,3%, enquanto demais despesas e serviços contratados totalizam 14,7% e 9,7%, respectivamente.
Em relação aos contratantes de obras, o estudo constatou que, em 2024, 33% do valor das obras foi demandado pelo setor público, enquanto 67% vieram da iniciativa privada. Para as obras de infraestrutura, essa participação do setor público foi de 48,2%, enquanto na construção de edifícios, caiu para 22,9%.
Marcelo Miranda Freire de Melo, analista do IBGE, destacou a importância do setor público para a construção civil, especialmente nas obras de infraestrutura, onde quase metade da demanda provém do governo. Nos segmentos de construção de edifícios e serviços especializados, a participação do setor público é menor, com predominância do setor privado.

Siga o Foco SE e entre no nosso grupo de notícias de Sergipe.



