Pressa, falta de empatia e atrasos afastam pacientes das consultas no Brasil. Pesquisa com 500 brasileiros expõe falhas graves no atendimento médico que comprometem a saúde da população.
A falta de empatia e de escuta ativa, a pressa durante as consultas e os atrasos recorrentes têm sido apontados como os principais fatores que impactam negativamente a experiência dos pacientes no Brasil. Um estudo recente realizado pela plataforma Olá Doutor, que entrevistou 500 brasileiros, revelou que esses comportamentos médicos estão afastando os pacientes dos consultórios.
Os dados foram divulgados após a análise das respostas de entrevistados de diferentes regiões do país, que buscavam entender não apenas a frequência com que procuram atendimento médico, mas também como as experiências durante as consultas influenciam essa busca.
De acordo com os resultados, muitos brasileiros têm optado por alternativas fora do consultório tradicional. O levantamento revelou que 53,2% dos entrevistados recorreram à internet para esclarecer dúvidas sobre saúde, enquanto 45,8% utilizaram ferramentas de inteligência artificial para obter informações sobre seu corpo.
Questionados sobre a regularidade nas consultas médicas, 55,4% afirmaram que foram ao médico com frequência no último ano. No entanto, quatro em cada dez relataram que buscaram menos atendimento do que o ideal devido a obstáculos do cotidiano.
O principal fator que impede a busca por atendimento médico é o trabalho. Metade dos entrevistados citou a rotina profissional, marcada por horários inflexíveis e excesso de tarefas, como um grande impedimento para consultas e exames.
“Sabemos que o trabalho e as ocupações não param, mas o cuidado com nossa saúde também não deveria esperar”, afirma Anderson Zilli, CEO da Olá Doutor.
Ele anunciou uma ação de conscientização em São Paulo, com uma campanha na linha 11-Coral da CPTM, que destacará a praticidade das consultas online. A ideia é mostrar como o atendimento médico pode ser rápido e acessível, mesmo durante o deslocamento para o trabalho.
Além dos fatores externos, o estudo também destaca comportamentos médicos que afastam os pacientes. A falta de empatia e escuta ativa foi mencionada por 50% dos entrevistados, seguida pela pressa durante a consulta (42,8%) e atrasos excessivos (37,4%). Outros fatores citados incluem orientações pouco claras (36,4%) e a minimização dos sintomas pelos profissionais (30%).
Durante o evento FUTR Health, o médico Jairo Bauer ressaltou a importância de ouvir o paciente com atenção: “A consulta médica, seja digital ou presencial, deve ser um momento em que o paciente é ouvido de forma ampla.”
A metodologia do estudo envolveu a entrevista de 500 adultos, maiores de 18 anos, com um índice de confiabilidade de 95% e margem de erro de 3,3 pontos percentuais. As questões abordaram a regularidade de atendimentos, os principais obstáculos e o impacto de comportamentos médicos na qualidade do atendimento.
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