Efeito sanfona: por que emagrecer rápido pode ser armadilha para a saúde

Rafael Ramos
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Dietas extremas prometem resultado, mas especialista alerta: perda de peso acelerada destrói músculo e aumenta o apetite. Entenda por que o método pode sair caro.

Emagrecer rapidamente pode parecer uma conquista, mas o corpo nem sempre reage positivamente a essa perda de peso. Muitas vezes, dietas extremamente restritivas resultam em diminuição da massa muscular, queda de energia e maior dificuldade para manter o resultado a longo prazo. Essa situação é uma das principais explicações para o fenômeno conhecido como efeito sanfona.

A Dra. Mariana Wogel, especialista em Nutrologia, alerta que uma perda de peso acelerada nem sempre é sinônimo de um emagrecimento saudável.

“Quando o corpo passa por uma restrição intensa, ele pode responder com mais fome, menor gasto energético e maior dificuldade para sustentar o resultado no longo prazo”,

afirma a médica.

Esse processo ajuda a entender por que muitos indivíduos acabam recuperando parte do peso perdido após a fase inicial da dieta, especialmente quando a abordagem adotada é muito rígida e difícil de manter.

Além do retorno dos quilos, o problema reside no que se perde durante o processo.

“Nem todo peso eliminado é gordura. Em emagrecimentos muito rápidos, pode haver perda significativa de água, glicogênio e massa magra, o que piora a composição corporal, torna o metabolismo menos eficiente e dificulta ainda mais a manutenção do peso”,

explica a Dra. Mariana.

Segundo a especialista, um dos principais equívocos é associar velocidade à eficácia.

“O melhor emagrecimento não é o mais rápido. É aquele que preserva saúde, rotina, massa muscular e pode ser sustentado sem compensações extremas”,

diz.

A perda de peso rápida pode desencadear uma adaptação biológica que favorece o reganho.

“O corpo entende a restrição como uma ameaça. Assim, tende a economizar energia, aumentar a sensação de fome e dificultar a manutenção do resultado quando uma pessoa volta a comer como antes”,

alerta a especialista.

Além da adaptação metabólica, dietas agressivas podem comprometer a composição corporal. A perda de músculo pode resultar em um gasto energético reduzido, tornando mais difícil manter o peso. Isso pode ser acompanhado por fraqueza, irritabilidade, compulsão alimentar, distúrbios do sono e desorganização da rotina alimentar.

A Dra. Mariana ressalta que a manutenção do peso não depende apenas da força de vontade, mas também de outros fatores como acompanhamento, rotina alimentar, atividade física, qualidade do sono, saúde emocional e a estratégia utilizada durante o emagrecimento.

Para a médica, o fundamental é substituir a pressa por um plano contínuo.

“A pergunta não deveria ser apenas: ‘quanto eu perdi?’. A pergunta mais importante é: ‘eu consigo sustentar esse padrão sem adoecer?’. Quando a resposta é não, o corpo costuma responder com reganho”,

afirma.

A orientação é evitar planos extremos, jejuns sem supervisão, cortes radicais de grupos alimentares e estratégias que prometem resultados drásticos em pouco tempo. O emagrecimento deve priorizar a perda de gordura com a preservação da massa magra, adequação nutricional e adaptação à rotina real da pessoa.

A Dra. Mariana Wogel resume sua mensagem:

“Emagrecer com saúde não é correr contra o relógio. É criar uma estratégia que o corpo consiga sustentar”.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.