ONU alerta sobre risco de calor extremo global devido ao El Niño

Claudio Vasconcelos
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A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou, na última terça-feira, 02 de junho de 2026, um alerta sobre os riscos associados ao fenômeno El Niño, que pode se manifestar de forma moderada ou até forte. A previsão é de que esse fenômeno eleve as temperaturas globais e intensifique as condições climáticas extremas nos próximos meses.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento periódico das águas da superfície do mar no Oceano Pacífico central e oriental, normalmente se estendendo por um período de nove a doze meses. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) destacou que as temperaturas acima da média devem ser esperadas na maior parte do mundo entre junho e agosto, com a possibilidade de que o fenômeno persista até novembro.

A OMM ressaltou que, apesar de haver incertezas sobre a intensidade do El Niño, é essencial que as nações se preparem para suas consequências.

“Precisamos nos preparar para um evento El Niño potencialmente forte — que exacerbará a seca e as chuvas fortes e aumentará o risco de ondas de calor tanto na terra quanto no oceano”, afirmou Celeste Saulo, secretária-geral da OMM.

O fenômeno climático tem a capacidade de alterar padrões climáticos regionais, trazendo temperaturas mais elevadas globalmente e, ao mesmo tempo, intensificando as chuvas no sul da América do Sul e nos Estados Unidos, além de partes do Chifre da África e da Ásia Central.

Por outro lado, o El Niño pode resultar em secas na Austrália, América Central, Indonésia e regiões do sul da Ásia, além de potencializar a formação de furacões no Pacífico central e oriental, conforme informação da OMM.

O último episódio de El Niño, considerado forte e que ocorreu entre 2023 e 2024, foi um fator que contribuiu para que 2024 se tornasse o ano mais quente já registrado. Celeste Saulo também destacou que os riscos associados ao aumento do calor incluem a maior disseminação de doenças transmitidas por vetores, como mosquitos e carrapatos, além da redução na disponibilidade de alimentos e água.

“As comunidades que já enfrentavam dificuldades serão levadas muito além de seus limites”, alertou Saulo.

Além disso, os consumidores já afetados pela inflação decorrente da guerra do Irã podem ver os preços dos alimentos subirem ainda mais devido ao impacto do El Niño.

Hein Schumacher, CEO da Barry Callebaut, uma das maiores processadoras de cacau do mundo, expressou preocupação com as colheitas nas regiões do Equador e da África Ocidental, responsáveis por 60% da produção global de cacau, que podem ser afetadas.

“Isso é algo que estamos observando com muita cautela. O El Niño pode ter um efeito que pode levar a alguns milhares por tonelada”, disse Schumacher em uma chamada à imprensa na terça-feira.

Embora algumas agências meteorológicas nacionais prevejam um El Niño mais forte em uma década, a OMM adota uma postura mais cautelosa, observando condições de subsuperfície anormalmente quentes em todo o Pacífico tropical, com temperaturas superiores a 6 graus Celsius acima da média, criando um reservatório de calor que impulsiona o aquecimento da superfície.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, enfatizou que esse fenômeno serve como um lembrete da urgência em adotar energias renováveis em substituição aos combustíveis fósseis.

“O mundo deve tratar isso como um alerta climático urgente. As condições do El Niño colocarão lenha na fogueira de um mundo em aquecimento”, declarou Guterres.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.