Polícia Civil realiza operação contra ONG por suspeita de fraude em contrato na capital

Rafael Ramos
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Uma operação da Polícia Civil de São Paulo foi realizada nesta segunda-feira, 1° de junho de 2026, visando a ONG Instituto Conhecer Brasil (ICB). A ação investiga possíveis fraudes em um contrato com a Prefeitura de São Paulo, que vale R$ 108 milhões por ano, destinado à instalação de wi-fi gratuito na cidade.

O ICB é de propriedade da empresária Karina Ferreira da Gama, que também é sócia da produtora Go UP. Esta produtora é responsável pelo filme sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, intitulado Dark Horse (Azarão, em tradução livre).

O contrato com a Prefeitura tinha o objetivo de instalar 5 mil pontos de wi-fi em áreas periféricas até junho de 2025. No entanto, até o momento, apenas 3.200 pontos foram efetivamente instalados. Além disso, foram assinados ao menos três aditivos que alteraram as datas de entrega do serviço.

Conforme apurado, a ONG e a produtora funcionam no mesmo endereço na Avenida Paulista, que não está mais oficialmente registrado. Ambas as entidades foram transferidas para a Rua Haddock Lobo, nos Jardins, sem a devida atualização nos registros estaduais e federais.

A operação cumpriu mandados de busca e apreensão nos endereços relacionados à proprietária da produtora e na sede da Secretaria Municipal de Tecnologia e Inovação, que é responsável pelo contrato com a ONG.

O objetivo das buscas é coletar computadores, documentos e celulares que possam esclarecer as investigações em andamento.

A 2ª Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública, Combate à Corrupção e Lavagem de Dinheiro (DICCA), do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania (DPPC), está à frente da apuração. O valor do contrato de R$ 108 milhões, segundo os investigadores, subiu para R$ 157,1 milhões devido a aditivos assinados pela gestão do Prefeito Ricardo Nunes.

O inquérito investiga se pelo menos R$ 26 milhões desse montante foram utilizados pela ONG sem a prestação adequada do serviço, o que poderia indicar desvio de recursos públicos.

“Não constatamos nada de irregular no processo, mas estamos à disposição para colaborar, como já vem sendo feito. Se houver identificação de irregularidades, tomaremos providências rigorosas”, afirmou o prefeito Ricardo Nunes.

A Prefeitura de São Paulo declarou que está colaborando com as investigações e que todo o material solicitado já foi entregue às autoridades competentes, reiterando que o programa de wi-fi continua funcionando normalmente na cidade.

As investigações indicam que a ONG pode ter utilizado R$ 4 milhões em notas fiscais falsas para justificar despesas. A Polícia Civil também constatou que os valores cobrados pela ONG estão acima do mercado, apresentando discrepâncias em relação aos valores praticados pela Prodam, empresa pública municipal que presta serviços semelhantes.

O inquérito revelou que a Secretaria de Inovação e Tecnologia repassou valores à ONG sem que todos os 5 mil pontos tivessem sido instalados, e que foram celebrados aditivos contratuais em intervalos muito curtos para ocultar atrasos na entrega dos serviços.

Além disso, a ONG é investigada pelo Ministério Público de São Paulo devido à apresentação de notas fiscais canceladas para justificar despesas do contrato, o que gerou mais questionamentos sobre a regularidade dos serviços prestados.

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Rafael Ramos é jornalista e gestor de comunicação com atuação em múltiplos portais de notícias em Sergipe. Apaixonado por política nacional e internacional, esportes e cultura, assina coberturas que unem rigor informativo e linguagem acessível ao leitor contemporâneo. À frente do R2 Media Group, dedica-se a levar informação de qualidade para o público sergipano e brasileiro.