INCA alerta sobre os perigos dos cigarros com sabor entre jovens

Claudio Vasconcelos
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O Brasil enfrenta não apenas uma batalha contra o vício em tabaco, mas também contra toda a indústria da nicotina, que tem como principais vítimas os adolescentes e jovens. Essa afirmação foi feita pelo diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, durante um evento realizado na última quinta-feira, 28 de maio, em preparação para o Dia Mundial sem Tabaco, que acontece em 31 de maio.

Roberto Gil expressou sua preocupação com a falta de informação entre a população, ressaltando:

“Me impressiona a desinformação que a gente ainda tem, porque um produto que mata um em cada dois usuários, isso não é um produto que podia existir.”

A discussão se intensifica com o aumento do uso de cigarros aromáticos e dispositivos de fumar eletrônicos, como vapes e pods, que tornam a experiência de fumar mais atrativa para os jovens. Estes produtos adicionam sabores doces e refrescantes, além de cores vibrantes, tornando a iniciação ao tabagismo mais fácil e sedutora.

Com o tema “Desmascarando o apelo – combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, a campanha deste ano foca nas estratégias utilizadas pela indústria do tabaco para atrair novos consumidores, especialmente crianças e adolescentes. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) indicam que cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco na América, sendo que dois milhões utilizam cigarros eletrônicos.

Um estudo apresentado pelo INCA em 2025 estima que o Brasil pode gastar até R$ 153 bilhões anuais com doenças relacionadas ao tabagismo. A secretária-executiva da Comissão Nacional para a Implementação da Convenção-Quadro da OMS para o Controle do Tabaco, Vera Luiza da Costa e Silva, alertou:

“O que a gente tem é um transicionamento, isso acontece no mundo inteiro, dos cigarros para drogas com mais tecnologia, para nicotina sintética… uma atratividade muito aumentada para que nossas futuras gerações sejam captadas pela indústria da nicotina.”

Em 2012, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou a Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) 14/2012, que proíbe o uso de aditivos que conferem sabor e aroma a produtos derivados do tabaco. O objetivo é tornar esses produtos menos atrativos. No entanto, a indústria do tabaco questiona a legalidade dessa norma no Judiciário, alegando que a proibição inviabiliza a produção nacional de cigarros. Em um artigo recente, a revista científica Tobacco Control refutou essa alegação, mostrando que cerca de metade das marcas de cigarros no Brasil não contém os aditivos proibidos.

Roberto Gil enfatizou a necessidade de que o Supremo Tribunal Federal (STF) proíba a produção desses aditivos, para garantir a validade nacional da norma e evitar novas contestações. Ele destacou:

“O tabagismo se torna cada vez mais uma doença pediátrica, que atinge pessoas numa faixa de menos de 20 anos.”

A coordenadora da Política de Prevenção e Controle do Câncer Infantojuvenil do Ministério da Saúde, Suyanne Camille Caldeira Monteiro, também ressaltou que prevenir a iniciação ao tabagismo é uma prioridade. Ela afirmou:

“Não há dispositivo eletrônico para fumar seguro. Esse é um ponto sensível quando falamos de adolescentes e adultos jovens.”

O tabaco é um fator de risco comum para várias Doenças Crônicas Não Transmissíveis, como câncer, diabetes e doenças cardiovasculares. O Ministério da Saúde, por meio do INCA, coordena ações do Programa Nacional de Controle do Tabagismo, focando na prevenção e promoção da cessação do uso de tabaco.

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Claudio Vasconcelos é jornalista veterano com vasta experiência em coberturas políticas e esportivas em Sergipe. Natural de Canindé de São Francisco, construiu sua trajetória na imprensa sergipana com foco em jornalismo de raiz, privilegiando apuração rigorosa e compromisso com a informação. Apaixonado pelo futebol e pelos bastidores da política, traz perspectiva experiente e bem fundamentada para cada matéria.