Lula diz que relação entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro “é caso de polícia”

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, nesta quinta-feira (14), que as ligações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, preso por suspeitas de fraudes financeiras, devem ser tratadas pelas autoridades policiais. A declaração ocorreu durante visita do chefe do Executivo à fábrica de fertilizantes nitrogenados Fafen, em Camaçari, região metropolitana de Salvador (BA).

Questionado por uma jornalista, Lula disse que não iria comentar o caso porque se trata de uma investigação que cabe às forças policiais e ao Ministério Público. Segundo o presidente, ele não é policial nem procurador-geral, e, portanto, não se pronunciará sobre o assunto.

O posicionamento de Lula refere-se ao escândalo revelado em reportagem do portal The Intercept Brasil, publicada em 13 de maio de 2026. A investigação afirma que Flávio Bolsonaro teria articulado repasses de R$ 134 milhões de Vorcaro, supostamente para financiar um filme sobre a trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Prisão e denúncias

Daniel Vorcaro está preso, acusado de liderar uma organização criminosa que teria cometido fraudes financeiras por meio do Banco Master, instituição cuja liquidação foi decretada pelo Banco Central no final do ano passado, após constatar a incapacidade do banco de honrar depósitos e aplicações de clientes. A Polícia Federal prendeu Vorcaro em desdobramentos de operações sobre essas fraudes. Ele se encontra na Superintendência da PF em Brasília e negocia um acordo de delação premiada.

A reportagem do The Intercept divulgou áudios e mensagens que, segundo a publicação, mostram conversas entre Flávio e Vorcaro, além de documentos e comprovantes bancários. Essas comunicações teriam ocorrido em diferentes momentos; as últimas tratativas entre ambos mostradas pela apuração datam do início de novembro do ano passado, e parte dos pagamentos apontados teria sido efetuada entre fevereiro e maio de 2025.

Segundo a matéria, o filme seria produzido no exterior com equipe e elenco estrangeiros e tem previsão de lançamento ainda neste ano. Também consta na investigação que transferências internacionais de uma empresa controlada por Vorcaro teriam sido destinadas a um fundo nos Estados Unidos administrado por Paulo Calixto, advogado ligado ao ex-deputado Eduardo Bolsonaro.

Deputados da base governista apresentaram denúncia à Polícia Federal e à Receita Federal para que sejam apuradas possíveis irregularidades nas transações e eventual relação dos recursos com pagamentos indevidos.

Horas após a publicação, Flávio Bolsonaro inicialmente negou a situação e depois reconheceu ter solicitado recursos e mantido contato com Vorcaro, mas afirmou tratar-se de apoio financeiro privado ao filme, sem uso de dinheiro público ou benefícios ilegais. O senador disse ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024 e afirmou que o contato foi retomado por atrasos em parcelas do patrocínio; também declarou que não ofereceu ou recebeu vantagens indevidas.

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