Em maio de 1926, a Ford Motor Company reduziu voluntariamente a jornada de trabalho nas suas fábricas para 40 horas por semana, marco que contribuiu para consolidar o modelo fordista e impulsionar a adoção da semana de cinco dias e dois de descanso (5×2) na indústria dos Estados Unidos.
O que mudou e por que
Antes da medida, operários da montadora trabalhavam seis dias por semana. A iniciativa da empresa visava atrair mão de obra de outros setores, elevar a produtividade por meio de trabalhadores mais descansados e aumentar o consumo ao liberar tempo para lazer. Historicamente, nos anos 1900 a média semanal de trabalho nos EUA girava em torno de 60 horas; na década de 1920 a média caiu para cerca de 50 horas.
Consolidação legal
A consolidação da jornada de 40 horas ocorreu mais tarde, em 1940, por meio de alterações na Fair Labor Standards Act, lei criada em 1938. A legislação passou a estabelecer formalmente a semana de 40 horas e a prever pagamento adicional de 50% sobre horas extras quando a jornada fosse estendida.
Luta dos trabalhadores e sindicalismo
Desde o fim da Guerra Civil, nos Estados Unidos houve forte movimento por redução da jornada. Organizados em sindicatos, os trabalhadores priorizaram o tempo livre tanto quanto aumentos salariais, reivindicando condições que permitissem viver melhor e com menos desgaste físico e mental. Lideranças e historiadores apontam que essa pauta foi determinante na formação do primeiro sindicato nacional na década de 1860 e na criação da Federação Americana do Trabalho na década de 1880.
Dados citados por estudiosos mostram que o número de filiados às organizações sindicais cresceu de cerca de 2 milhões em 1909 para 4,13 milhões em 1919. A decisão da Ford em limitar a jornada impulsionou a adoção da semana de cinco dias por diversas empresas: em 1920 apenas 32 grandes companhias adotavam essa escala; em 1927 o número já era de pelo menos 262.
Papel de Henry Ford
Pesquisadores ressaltam que, sem mobilização dos trabalhadores, os empregadores tendem a manter jornadas longas quando há demanda por trabalho. Embora a medida tenha ampliado a reputação da Ford como empregadora inovadora na questão da jornada, o proprietário Henry Ford era notoriamente adverso aos sindicatos. Documentos e relatos históricos indicam que a empresa adotou práticas para dificultar a organização sindical entre seus funcionários.
Dados recentes e situação no Brasil
Segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, a jornada média efetiva foi de 34,3 horas semanais em abril de 2026, com variações por setor — 45,5 horas na mineração e exploração madeireira e 25,5 horas no lazer e hotelaria — e média de três horas-extras por semana na indústria.
No Brasil, o governo tem defendido o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem regra de transição. Em anúncio recente, governo e lideranças da Câmara concordaram em estabelecer dois dias de descanso por semana e reduzir a jornada para 40 horas; o tema tramita na Câmara dos Deputados, com previsão de votação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) em comissão especial no dia 27 de maio.
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