A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, em 6 de maio de 2026, a implementação de um Plano de Farmacovigilância Ativa para acompanhar os efeitos adversos associados aos medicamentos agonistas do receptor do GLP‑1, conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras.
A medida representa mudança na estratégia da agência, que deixa de depender exclusivamente de relatos voluntários de pacientes e profissionais de saúde e passa a realizar monitoramento proativo em parceria com serviços de saúde. O objetivo é identificar de forma sistemática reações adversas, sobretudo em situações de uso fora das indicações aprovadas.
Segundo o diretor Thiago Lopes Cardoso Campos, a iniciativa responde ao “crescimento expressivo do consumo” desses medicamentos e ao aumento de complicações no país. Entre 2018 e março de 2026, foram registradas 2.965 notificações de eventos adversos relacionados a esse grupo de fármacos, com concentração de relatos em 2025 e predominância de casos associados à semaglutida (semaglutide).
“Estamos diante de medicamentos com benefícios comprovados para o tratamento do diabetes e da obesidade, mas cujo uso tem se expandido para situações fora das indicações aprovadas, frequentemente sem acompanhamento clínico adequado”, afirmou Campos durante a 7ª reunião pública da diretoria da Anvisa.
O diretor também alertou para a circulação de produtos falsificados, manipulados em condições inadequadas ou de procedência desconhecida, apontando risco sanitário grave e lembrando que a venda de medicamentos irregulares configura crime previsto no artigo 273 do Código Penal. Veja o texto legal: Decreto-lei nº 2.848/1940 (Código Penal).
O plano é desdobramento de um conjunto de ações anunciado no mês anterior, com foco no monitoramento pós-comercialização e no fortalecimento da farmacovigilância desses medicamentos. A estratégia inclui a participação voluntária da Rede Sentinela — integrada por serviços de saúde, instituições de ensino e pesquisa, assistência farmacêutica, laboratórios clínicos e de anatomia patológica — e da HU Brasil (antiga Ebserh), que reúne hospitais universitários do país.
Campos informou que a Anvisa firmou acordo de cooperação com a Polícia Federal para ações conjuntas de fiscalização e declarou que a iniciativa está aberta à adesão de outros hospitais com capacidade técnica e compromisso com a qualificação das notificações.
O diretor-presidente da Anvisa, Leandro Safatle, afirmou que o interesse pelas canetas emagrecedoras exige uma atuação “firme, coordenada e muito atenta” da agência, e que o modelo de farmacovigilância ativa é estratégico para detectar precocemente eventos adversos, qualificar informações e ampliar a análise de riscos no uso real desses medicamentos.
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