Irã nega que navios dos EUA tenham atravessado Estreito de Ormuz; preço do petróleo sobe

Robson Alves
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A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã declarou, nesta segunda-feira, 4 de maio de 2026, que as informações divulgadas pelos Estados Unidos sobre a passagem de navios comerciais com bandeira norte-americana pelo Estreito de Ormuz são falsas. Em comunicado, as Forças Armadas iranianas afirmaram que “nenhum navio comercial ou petroleiro passou pelo Estreito de Ormuz nas últimas horas” e classificaram as alegações americanas como infundadas.

Duas horas antes da nota iraniana, o Comando Central dos EUA informou que navios de guerra teriam escoltado dois navios mercantes de bandeira americana pelo estreito. Segundo os militares norte-americanos, a operação integra o plano anunciado pelo presidente Donald Trump no domingo, 3 de maio de 2026, para restabelecer o comércio na região. “Como primeiro passo, dois navios mercantes de bandeira americana atravessaram com sucesso o Estreito de Ormuz e estão a caminho de sua jornada em segurança”, afirmou o comunicado do Comando Central dos EUA.

Os Estados Unidos detalharam que a missão envolve navios de guerra com mísseis guiados, mais de 100 aeronaves terrestres e marítimas e cerca de 15 mil militares.

Em reação às movimentações, a Guarda Revolucionária divulgou um mapa com uma nova área de controle marítimo no Estreito de Ormuz, estabelecendo duas linhas de segurança que passariam a funcionar como “novas fronteiras de controle”. No mapa, a linha sul vai do Monte Mubarak, no Irã, até o sul de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, e a linha oeste liga a ponta da ilha de Qeshm, no Irã, a Umm Al Quwain, também nos Emirados Árabes Unidos.

Petróleo

Em meio à disputa sobre a navegação no estreito, por onde circulavam até 20% do petróleo mundial, o barril do Brent subiu cerca de 5% nesta segunda-feira, ultrapassando os US$ 114. Ao anunciar o plano para reabrir o comércio na região, Donald Trump ameaçou o Irã caso a navegação seja impedida, afirmando em rede social que “essa interferência terá, infelizmente, de ser combatida com firmeza”.

Autoridades iranianas têm sustentado que a reabertura do Estreito de Ormuz não pode ser feita por meio de mensagens em redes sociais e exigem negociações que assumam compromisso com o fim definitivo do conflito, incluindo a frente no Líbano.

O major-general Ali Abdollahi, importante comandante iraniano, recomendou que navios comerciais e petroleiros evitem tentar a passagem pelo Estreito sem coordenação com as Forças Armadas do Irã, para não colocar em risco sua segurança.

Há relatos de dois navios comerciais atacados no Estreito de Ormuz em intervalo de 24 horas. A Marinha do Irã afirma ter impedido a passagem de embarcações estadunidense-israelenses e diz ter atingido um navio de guerra dos EUA no Golfo de Omã; os militares norte-americanos negam ter sido afetados.

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Robson Alves é analista e colaborador editorial especializado em política nacional e internacional, economia e cultura. Com formação em contabilidade e leitura apurada sobre cenários econômicos e geopolíticos, assina textos que conectam o que acontece no mundo com os impactos no cotidiano brasileiro.