A Secretaria de Estado da Saúde (SES), por meio da Organização de Procura de Órgãos (OPO) Sergipe, implementou o projeto “Caminhando Juntos” para estender o acolhimento às famílias de potenciais doadores de órgãos além do ambiente hospitalar. A ação prevê visitas domiciliares após o encerramento do processo de doação, independentemente de a família ter autorizado ou não a doação.
O objetivo do projeto é prestar escuta qualificada, apoio emocional e orientação em um período marcado pelo luto, respeitando o tempo e as particularidades de cada família. As visitas são realizadas por uma equipe multiprofissional integrada — composta por psicólogos, assistentes sociais, enfermeiros e técnicos — que busca oferecer suporte e fortalecer a relação entre os serviços de saúde e a comunidade.
Segundo a coordenadora da OPO Sergipe, Darcyana Lisboa, a iniciativa nasceu da necessidade de tornar o atendimento mais sensível e próximo das pessoas envolvidas. A equipe realiza um retorno cerca de um mês após o encerramento do processo para acolher, ouvir e compreender melhor a experiência vivida pela família, tanto nos casos em que houve autorização para a doação quanto naqueles em que a família optou pela recusa.
Quando a família decide não autorizar a doação, as visitas domésticas também buscam identificar os motivos da negativa, que frequentemente incluem falta de informação, inseguranças sobre a integridade do corpo e influências culturais ou emocionais. Darcyana relata que, ao esclarecer o procedimento com calma durante o acompanhamento, muitas famílias passam a compreender melhor o processo e, em alguns casos, afirmam que hoje seriam favoráveis à doação.
Além da escuta ativa, a equipe da OPO realiza encaminhamentos para a rede de atenção primária sempre que detecta necessidade de acompanhamento psicológico ou suporte continuado, garantindo continuidade no cuidado às famílias atendidas.
Sobre a OPO
A OPO Sergipe funciona no Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse), em Aracaju, e integra a Central Estadual de Transplantes (CET). A organização é responsável por identificar potenciais doadores, articular o processo de doação e oferecer acolhimento às famílias para viabilizar as doações.
Relatos das visitas indicam avaliação positiva por parte das famílias, que frequentemente se dizem acolhidas ao perceberem que o acompanhamento se estende além do período de internação e que, em alguns casos, o acompanhamento contribui para a ressignificação da experiência.
Fonte: Secretaria de Estado da Saúde de Sergipe
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